O cantor, compositor e produtor musical Clarence Carter morreu nesta quinta-feira (14/5), aos 90 anos. Ícone do soul sulista norte-americano, o artista ficou conhecido por sucessos como “Patches”, “Slip Away” e “Strokin’”, além de uma carreira marcada pela mistura entre baladas emocionais, blues e canções de humor provocativo.
A morte de Clarence Carter foi confirmada por Rodney Hall, presidente do FAME Studios, tradicional estúdio do Alabama onde o cantor gravou grande parte de sua obra. Segundo informações divulgadas à revista Rolling Stone, Carter havia sido diagnosticado recentemente com câncer de próstata em estágio avançado e também enfrentava pneumonia e sepse.
Nascido em 14 de janeiro de 1936, em Montgomery, Clarence Carter perdeu a visão ainda na infância. Apaixonado por música desde cedo, aprendeu sozinho a tocar guitarra ouvindo discos e reproduzindo melodias. Mais tarde, estudou na Alabama School for the Blind e se formou em música pela Alabama State College, em 1960.
O cantor iniciou a carreira profissional ao lado do músico Calvin Scott, formando a dupla Clarence & Calvin, mais tarde conhecida como C&C Boys. Após o fim do projeto, Carter seguiu carreira solo e passou a trabalhar com o lendário selo FAME, tornando-se um dos principais nomes do soul e do R&B entre o fim dos anos 1960 e o início da década de 1970.
O auge comercial veio com canções como “Slip Away”, lançada em 1968, e “Patches”, de 1970. A faixa “Patches” alcançou o Top 5 das paradas norte-americanas e venceu o Grammy de Melhor Música de R&B. A canção contava a história de um jovem do Alabama tentando sustentar a família após a morte do pai.
Outro momento marcante da trajetória de Clarence Carter foi o lançamento de “Strokin'”, em 1986. Com letras ousadas e tom bem-humorado, a música se transformou em um clássico cult e ganhou espaço em filmes e programas de TV ao longo das décadas, mesmo enfrentando resistência nas rádios por seu conteúdo considerado explícito.
Além da carreira como cantor, Carter também era reconhecido por seu talento como arranjador. Segundo relatos de músicos da época, ele escrevia os arranjos em braille para que fossem posteriormente transcritos aos instrumentistas. O guitarrista Duane Allman chegou a descrevê-lo como “um dos homens mais perceptivos” que conheceu.
Clarence Carter continuou gravando discos e realizando turnês até os últimos anos de vida. Seu último álbum, “Mr. Old School”, foi lançado em 2020. Em 2024, ele ainda apresentou o single “Danger Point”, mantendo-se ativo artisticamente mesmo após mais de seis décadas de carreira.
Ao longo da trajetória, o cantor também foi casado com a artista Candi Staton, com quem teve um filho. Os dois se divorciaram em 1973.