Sociedade não é algo distante; sociedade somos nós. O jeito como tratamos as pessoas no cotidiano vai moldando o mundo em que vivemos. Tratar mal um atendente, humilhar alguém no trânsito ou espalhar agressividade nas redes sociais pode parecer algo pequeno quando acontece isoladamente. Mas, somados todos os dias, esses comportamentos vão adoecendo a convivência coletiva.
Existe uma contradição comum: pessoas que reclamam da violência, da falta de respeito e da cidade suja, mas que também jogam lixo na rua, desrespeitam filas, respondem com grosseria e acreditam que seus próprios atos não têm impacto nenhum. O filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman falava sobre como nossas relações estão cada vez mais frágeis e individualistas, o que ele chamava de “modernidade líquida”.
Isso aparece nos detalhes: menos paciência, menos escuta e menos disposição para conviver com as diferenças. Tem uma canção do Gilberto Gil que diz: “Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiar”. Essa fé também pode ser entendida como a capacidade de continuar acreditando nas pessoas, mesmo em um tempo onde tantos parecem cansados uns dos outros. No fim das contas, ainda há muita gente em quem podemos confiar.
Nenhuma sociedade melhora sozinha. Ela vai ficando parecida com aquilo que cada um pratica diariamente, inclusive — e principalmente — nas pequenas atitudes.