Muita gente fala em liberdade pensando em fazer o que quer, na hora que quer, sem dar satisfação a ninguém. Mas a vida vai ensinando outras coisas. Existem pessoas completamente soltas e, ainda assim, presas por dentro. Presas à necessidade de aprovação, à comparação, ao medo de decepcionar, ao vício de agradar a todo mundo.
Tem gente que não consegue dizer não, não consegue mudar de caminho ou sair de relações que machucam, porque foi se acostumando a viver aprisionada ao olhar do outro. E acaba que a vida vai cobrando da gente, seja no cansaço, na ansiedade ou na sensação de estar vivendo uma vida escolhida pelos outros. A liberdade adulta começa quando a pessoa entende que nem sempre será compreendida. E tudo bem.
Porque maturidade não é fazer barulho para provar a independência. É conseguir dormir em paz depois de tomar decisões coerentes com aquilo em que se acredita. Existe uma frase do livro Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector, que diz: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.”