Fui convidado pela Polo BH, produtora, para poder assistir a peça “Mulher em Fuga”, que traz uma reflexão importante sobre uma pergunta que muita gente faz sem conhecer a realidade de quem vive determinadas situações. Por que ela não foi embora?
Quem observa de fora imagina que sair é simples, mas muitas vezes vezes, não é. Há relações em que uma pessoa vai se tornando cada vez mais dependente da outra. Aos poucos, deixa de estudar, abandona a oportunidade de trabalho, afasta-se de amigos, reduz o contato com familiares e perde espaços de autonomia. Quando surgem os primeiros conflitos, já não existe a mesma liberdade de escolha.
Quando surgem as primeiras agressões, muitas vezes existe medo, insegurança financeira, dependência emocional e até a esperança de que tudo volte a ser como era no início. A saída raramente acontece no primeiro episódio difícil. Em muitos casos, trata-se de um processo longo, marcado por dúvidas, culpa, receios e tentativa de reconstrução. Por isso é tão importante evitar julgamentos apressados.
Antes de perguntar porque alguém demorou para sair, vale a pena perguntar quais foram os obstáculos que impediram essa saída. E por que que ele não saiu? compreender essas barreiras é um passo importante para oferecer apoio em vez de condenação.