Ontem eu falei do projeto do designer gráfico Rafael Maia, que se chama “Horizonte Tipográfico”, que faz um recorte, ou melhor, um inventário, dos letreiros com os nomes dos prédios no centro de BH em uma época marcante da cidade. E é tão bacana essa pesquisa que eu quis que ele mesmo explicasse para a gente:
“O Horizonte Tipográfico é uma pesquisa sobre cultura visual e memória gráfica com foco nos edifícios do hipercentro entre as décadas de 30 e 40. Quer dizer, Belo Horizonte foi construída e inaugurada ainda no século XIX, mas houve uma onda de prosperidade que imperou entre a implantação da República e o fim da Primeira Guerra Mundial, que contribuiu muitíssimo para o surgimento de uma nova ordem no tratamento das questões urbanas e que tem, nesse processo de verticalização, um de seus afluentes.
Essa metamorfose radical do hipercentro, onde foram construídos os primeiros edifícios verticais da cidade, coincide justamente com o período moderno em que ascendem o Art Déco e o protomodernismo, que são o foco da pesquisa. Então, esse inventário levantou 24 letreiros presentes em 22 edifícios construídos por 15 arquitetos.
Tem uma série de ícones da arquitetura belo-horizontina envolvidos, como é o caso do Chagas Dória, do Colégio Imaculada, do Centro dos Chauffeurs, o Andrade, o Soares, que é o primeiro edifício do Barro Preto, e o Sulacap (Sul América), que recentemente, depois da entrega da Praça Sete, foi reintegrado à paisagem urbana da cidade ao ‘dar as caras’ para a rua. É um projeto que tem, na constituição de um acervo de artefatos gráficos, a sua própria finalidade e que pretende, além disso, pensar sobre a memória gráfica, a preservação e o olhar para a cidade.”
Muito obrigada, Rafa! Bacana demais esse exercício de pensar sobre a preservação e o olhar da cidade, né, gente?