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No 10º andar do hotel Tribe Belo Horizonte Savassi está o Coreto, uma drinqueria intimista e de sangue mineiro, mais uma aposta da chef Ana Gabi Costa em parceria com o mixologista Cássio Batista. Especialidade da cozinheira, as iguarias de Minas Gerais estão presentes nos outros dois empreendimentos assinados por ela, e no Coreto não poderia ser diferente.
A Rádio CDL FM foi convidada para uma experiência no bar, inaugurado em novembro do ano passado. O espaço possui clima intimista e capacidade para 50 pessoas, com mesas internas e externas – essas com vista para uma parte da Praça da Liberdade e para o Minas Tênis Clube.
O nome da drinqueria homenageia o coreto da Praça da Liberdade, símbolo da arquitetura de Belo Horizonte. Em uma das paredes do local está instalada uma espécie de escultura que imita o formato original do coreto, aumentando a identidade belo–horizontina do bar.
Drinques com ingredientes mineiros
A hospitalidade é um dos pontos fortes do Coreto. Dos recepcionistas aos garçons, todos fazem você se sentir em casa, além de darem uma aula sobre todos os itens do cardápio.
A proposta da coquetelaria é ser autoral, utilizando ingredientes mineiros e adquiridos de pequenos produtores regionais. Cassin Batista, o mixologista responsável pela carta, busca enaltecer tradições mineiras ao utilizar a cachaça como base de várias bebidas. Nesse momento, os garçons fazem o essencial papel de explicar sobre cada item adicionado para criar os drinques.
A noite começou com o drinque Galeguinho, feito com cachaça Guaraciaba Jequitibá, limão galego, capim limão e soda de grapefruit. A bebida é leve e refrescante, ideal para “iniciar os trabalhos”. Na parte das entradas, fomos de Fresco (burrata, cogumelo, morango e baru) e Frito (pastel de abóbora, maçã, castanha de pequi e gorgonzola).
Pratos criados para harmonizar com drinques
E já que eu citei as entradas, vou falar sobre o cardápio de comidas do Coreto. Assinado por Ana Gabi Costa, o menu segue a filosofia das outras casas do Grupo Trintaeum, que é fazer pratos com ingredientes regionais em combinações criativas, modificando as opções de acordo com a sazonalidade dos insumos.
A combinação de burrata com morango e baru parece inusitada, mas os ingredientes se complementam perfeitamente, criando uma explosão de sabores. O pãozinho de fermentação natural vem para acompanhar a mistura.




No momento das entradas e primeiras degustações, meu acompanhante pediu o Bilisco, que é um milk punch de maracujá com cachaça Sagrada Carvalho e Amburana e licor de laranja. Ao olhar, o coquetel parece um simples copo d’água, no entanto, ao primeiro gole, fomos surpreendidos com uma explosão de sabor. A bebida custa R$ 75.

Vale destacar que os garçons podem sugerir os pedidos se você estiver na dúvida. Para nós foi uma ótima opção, pois nos possibilitou experimentar os destaques do cardápio. O drinque que meu acompanhante pediu na sequência foi o Lagoinha, feito com cachaça Princesa do Vale Amburana, fermentado de caju e aquafaba. Experimentei e achei que tanto o sabor quanto o cheiro são marcantes.

Eu pedi o drinque Me Diga Porque, um dos queridinhos da casa. A bebida leva cachaça Guaraciaba Extra Premium, hidromel de urucum, licor de araticum e cordial de imbu, uma homenagem sensorial ao Cerrado.

Frango não tem erro
Para acompanhar esses drinques, fomos de Galinha, que é o meio da asa de frango desossada com molho picante, amendoim e crocante de salsinha. Essa proteína não tem erro, né? 10/10!

Meu acompanhante pediu um Cana Braba, feito com cachaça Primeira de Minas Prata, caldo de cana fresco, limão capeta e é finalizado com um talinho de cana por cima, o que deu um valor afetivo à bebida. Surpreendentemente, o Cana Braba não é tão doce, o que pode ser ideal para quem foge do açúcar.

A chef Ana Gabi surpreendeu o nosso paladar com o Peixe, que é um surubim conservado na manteiga com pão de tomate, crocante de tomate e molho ácido de urucum. Seis unidades é pouco para esse prato, rs.

Negroni sem Campari
Meu acompanhante ficou comentando sobre o Negroni com um dos garçons durante boa parte da noite. Isso porque a versão do Coreto foi adaptada com ingredientes mineiros, feito com Vermute de Jabuticaba no lugar do tradicional Campari.
O drinque ainda leva Amarogutta Deep Red, Duck Gin e zest de laranja. Eu que não sou fã de Campari achei essa versão menos amarga e com mais personalidade, mas, ainda assim, um coquetel forte. Eu fui de Larancello Spritz, uma versão do Aperol Spritz feito com licor de laranja artesanal, espumante e água gasosa. Aperol é uma das minhas bebidas favoritas, e essa versão não decepcionou.


Entre os pratos principais, ainda faltava experimentar o Angus, e eu quase não tenho palavras para descrevê-lo. Um dos garçons nos disse que era o favorito entre os clientes, “o simples bem feito”. E ele não poderia ter definido melhor.
A batata frita não dá nem para ser chamada de batata frita, de tão sofisticada. O petit tender veio extremamente suculento e o creme de shoyo artesanal foi o eleito para compor a combinação, após diversas tentativas da chef. O prato estava tão bom que tivemos que pedir mais um, só para ir embora com o gostinho dele.

Para fechar os drinques com chave de ouro, experimentamos o Corpse Reviver Nº2, feito com um gin Lamas Balm, licor de laranja da casa, licor de pequi Cristal Brasil, vinho Licoroso Lágrima 6 anos e licor absinto da casa.

Impressões finais
É impossível falar que algo que comemos ou bebemos chegou perto de estar mais ou menos, e não digo isso por ter sido convidada do Coreto. A qualidade da chef e do mixologista estão bem impressas em cada item e surpreendem no cuidado para que tudo tenha um toque de Minas Gerais. O Coreto entrou no rol de bares de Belo Horizonte para provar que luxo é o que temos no nosso próprio quintal.
Endereço do Coreto: rua da Bahia, 2200 – Lourdes (terraço do Tribe Hotel)
Horário de funcionamento: quarta–feira a sábado, 17h a 0h | domingo, 17h às 22h