O que é o Inhotim? O Instituto Inhotim é o maior museu a céu aberto da América Latina, localizado em Brumadinho, Minas Gerais, a 60 km de Belo Horizonte. Fundado em 2006, reúne cerca de 1.862 obras de mais de 280 artistas de 43 países, em 140 hectares que combinam galerias, jardim botânico com 4,3 mil espécies raras e obras ao ar livre.
O Instituto Inhotim, em Brumadinho (MG), celebrou 20 anos de existência com a inauguração de três novas obras de arte contemporânea no dia 25 de abril de 2026. O maior museu a céu aberto da América Latina abriu ao público as instalações Contraplano (Lais Myrrha), Dupla Cura (Dalton Paula) e Tororama (Davi de Jesus Nascimento), reforçando sua vocação de unir arte, natureza e educação num espaço singular entre a Mata Atlântica e o Cerrado.
Inhotim: 20 anos de arte, natureza e educação em Minas Gerais
Idealizado desde a década de 1980 pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz e inaugurado oficialmente em 2006, o Inhotim nasceu no solo ferroso de uma fazenda em Brumadinho e cresceu até se tornar referência mundial em arte contemporânea e botânica. A organização sem fins lucrativos é mantida por doações, bilheteria e leis de incentivo à cultura, federal e estadual.
A diretora artística Júlia Rebouças destacou que as três novas obras têm em comum a vocação do instituto: articular arte, natureza e educação. Segundo ela, cada trabalho “vai repercutir o que é esse território, qual a relação do visitante com esse espaço, questões contemporâneas importantes” e revisitar “momentos que muitas vezes estão ocultos na nossa história mais recente”. Para a diretora, as novas adições são como novas ideias acrescentadas a um grande texto que há 20 anos escreve a narrativa do Inhotim.
Contraplano, de Lais Myrrha: arquitetura moderna, paisagem e mineração
Posicionada em um dos pontos mais altos do Inhotim, a escultura monumental Contraplano, da artista mineira Lais Myrrha, dialoga com a arquitetura modernista de Oscar Niemeyer — especificamente com o edifício da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Construída com lâminas de concreto armado e colunas de aço inoxidável, materiais da arquitetura moderna, a obra se abre sobre o jardim do museu, a mata nativa e as cavas de mineração ao redor.
O título evoca o espelhamento da paisagem transformada pela mineração. “Até que ponto as tecnologias modernas também influenciaram nessas formas de construção? A topografia, as cavas de mineração, como isso aparece nesse desenho da obra? Vai depender muito do repertório de cada visitante”, explicou a artista à Agência Brasil. Para visitantes como a psicóloga Paola Prates, de BH, a obra “causa conforto pelo frescor e acolhimento, mas ao mesmo tempo lembra o que a mineração é capaz de fazer”.
Dupla Cura, de Dalton Paula: ancestralidade e cultura afro-brasileira
Na Galeria Mata, uma das primeiras edificações do Inhotim, a exposição de longa duração Dupla Cura, do artista Dalton Paula, reúne cerca de 120 obras: pinturas, fotografias, vídeos e instalações. É a maior mostra do brasiliense radicado em Goiânia já exibida no Brasil, dedicada à ancestralidade, à memória e à valorização da cultura afro-brasileira.
O título é uma referência ao “pacto espiritual” que permeia a obra, ligado à devoção a São Cosme e São Damião, simbolizando que “o fortalecimento individual é indissociável do bem-estar comunitário”, segundo a curadora Beatriz Lemos. Para Dalton, o conjunto funciona como “uma espécie de oráculo” feito do passado, que aponta “possibilidades de presente e de futuro”, algo especialmente valioso para as gerações mais jovens.
O engenheiro de som Marcos Soares, morador de BH e visitante assíduo do Inhotim, descreveu a mostra como uma experiência que “abre uma nova forma de vida que eu nunca teria a chance de vivenciar” fora dali.
Tororama, de Davi de Jesus Nascimento: Rio São Francisco e memória popular
Na Galeria Nascente, a instalação imersiva Tororama, de Davi de Jesus Nascimento, nascido e criado em Pirapora, no norte de Minas Gerais, mergulha na relação do artista com o Rio São Francisco. O espaço reúne três pinturas, um vídeo gravado nas Cavernas do Peruaçu (MG) e carrancas feitas pelo Mestre Expedito, importante figura da arte popular brasileira que não produzia peças novas há dez anos.
O nome “Tororama” aparece no conto A Terceira Margem do Rio, de João Guimarães Rosa, remetendo à relação do protagonista com um curso d’água. “O trabalho de Davi está totalmente relacionado ao Rio São Francisco, a partir de uma pesquisa voltada para sua família que mergulha nesse rio. É um projeto completamente imersivo, que traz vídeo performance e uma paisagem sonora”, destacou o curador Deri Andrade.
Davi vem de uma família de lavadeiras, pescadores, marceneiros e mestres carranqueiros. “A permissão do que eu faço vem por meio desse curso d’água que é o Rio São Francisco e da energia da minha mãe que morreu afogada em 2013”, disse o artista. “Esse ambiente que criei é de onde eu venho, da comunidade à beira do rio, do meu pai pescador.”
O que visitar no Inhotim em 2026?
Com as três novas inaugurações comemorativas dos 20 anos, o acervo do Inhotim soma mais de 1.862 obras de 280 artistas de 43 países. O museu funciona em Brumadinho (MG), a 60 km de Belo Horizonte, com 140 hectares que combinam galerias, jardim botânico e obras ao ar livre entre os biomas da Mata Atlântica e do Cerrado, uma experiência única que mistura arte e natureza em escala monumental.