A Fundação Clóvis Salgado anunciou a estreia da ópera Chica da Silva, que terá apresentações nos dias 19, 21 e 23 de setembro, em BH. A produção integra a programação do Ano JK e terá pré-estreia em Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, no dia 12 de setembro, com récitas protagonizadas pela Orquestra Sinfônica e pelo Coral Lírico de Minas Gerais.
A montagem revisita a trajetória de Chica da Silva, uma das personagens mais emblemáticas da história colonial brasileira. Ambientada no Arraial do Tijuco, atual Diamantina, no século XVIII, a narrativa apresenta a ascensão de uma mulher negra recém-liberta que rompe as rígidas estruturas sociais da época ao viver uma relação com o contratador de diamantes João Fernandes, figura de grande poder econômico e político na região.
A produção propõe um mergulho dramático em torno das tensões sociais, raciais e de gênero que marcaram aquele período. Após alcançar uma posição social incomum para uma mulher de sua origem, Chica enfrenta a hostilidade de uma sociedade fortemente influenciada pelos valores da matriz portuguesa, sobretudo após a ausência de seu companheiro.
Simbolismo de Chica da Silva para MG
O anúncio oficial da ópera ocorreu durante um encontro promovido pela Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, realizado em Diamantina. Na ocasião, o presidente da Fundação Clóvis Salgado, Yuri Mello Mesquita, destacou o simbolismo da personagem para a identidade mineira e brasileira.
Segundo ele, a escolha de Diamantina para a pré-estreia reforça a ligação histórica da obra com o território onde a personagem construiu sua trajetória. Já Belo Horizonte será o palco da temporada oficial.
A ópera Chica da Silva também se insere em uma reflexão mais ampla sobre o papel feminino na formação simbólica de Minas Gerais. Durante o mesmo encontro, o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, destacou a importância da obra para revisitar a memória histórica a partir de novas perspectivas.
Para ele, levar Chica da Silva ao palco significa devolver complexidade a uma figura frequentemente reduzida ao imaginário popular e folclórico. A proposta da ópera, nesse contexto, é reposicionar a personagem como elemento central para compreender as contradições da formação social mineira.
Chica da Silva
Data: 19, 21 e 23 de setembro
Local: Palácio das Artes | Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro