Belchior completaria 80 anos nesta segunda-feira (26/10). Autor de “Apenas um rapaz latino-americano”, “Como nossos pais” e “Sujeito de sorte”, Antônio Carlos Gomes Belchior é um dos grandes nomes da MPB dos anos 1970. Para celebrar a data relembrar a trajetória do cantor, separamos 7 curiosidades sobre ele.
1. Cantor de feira e repentista desde criança
Nascido em Sobral, no norte do Ceará, em 1946, Belchior se destacou como artista ainda na infância. Cantava em feiras, era poeta e repentista e aprendeu piano. Repentistas são poetas e cantores que criam versos de improviso, geralmente acompanhados por uma viola ou outro instrumento de corda.
2. Seminarista que largou a medicina pela música
Aos 16 anos, mudou-se para Fortaleza, onde ingressou em um colégio de padres e estudou filosofia. Depois, viveu em um monastério com frades italianos. Mais tarde, entrou no curso de medicina, que abandonou para se dedicar à música.
3. Poliglota e autor de canção em latim
Além do português, Belchior dominava inglês, francês, espanhol, italiano e latim, os dois últimos aprendidos no monastério. Ele chegou a gravar “Corpos Terrestres”, em latim, com participação das Frenéticas, no álbum “Todos os Sentidos” (1978).
4. Tinha 21 irmãos
O pai, Otávio Belchior Fernandes, teve 10 filhos no primeiro casamento, incluindo Belchior, e outros 12 no segundo. Com isso, o compositor tinha 21 irmãos.
5. Um convite ousado rendeu gravações com Elis Regina
Belchior conheceu Elis Regina em 1975, três anos depois de ela gravar “Mucuripe”, canção dele com Fagner. Vivendo “de favor” em São Paulo, ele se convidou para mostrar suas músicas na casa da cantora, na hora do almoço ou do jantar. O atrevimento deu certo: Elis gravou “Velha roupa colorida” e “Como nossos pais”, sucessos do disco “Alucinação”, que completa 50 anos em 2026.
6. ‘Medo de Avião’ tem uma sequência com Gilberto Gil
Muita gente conhece “Medo de Avião”, de 1979. Menos conhecida é “Medo de Avião nº 2”, composta com Gilberto Gil, em que a letra ganhou novas estrofes.
7. Entre as 100 maiores vozes da MPB
Em 2012, Belchior apareceu na lista das 100 maiores vozes da MPB (Música Popular Brasileira), da edição nacional da revista Rolling Stone, na 58ª posição.
Legado
Belchior morreu em 2017, aos 70 anos, vítima de um rompimento da artéria aorta. Nos últimos dez anos de vida, viveu recluso entre o Uruguai e cidades do Rio Grande do Sul. Sua obra segue celebrada: a filha caçula, a cantora Vannick Belchior, o homenageia em shows e no álbum de estreia “Meu nome é Cem”.
O livro “Viver é melhor que sonhar”, dos jornalistas Chris Fuscaldo e Marcelo Bortoloti, ganhou adaptação para o cinema, com estreia prevista para novembro deste ano. A obra literária é uma biografia investigativa focada no perído mais misterioso da vida de Belchior, quando ele abandonou a carreira, os bens e a família para viver como um nômade.
Com Agência Brasil