
No Brasil, mais de 10 milhões de mulheres lideram os próprios negócios, muitas vezes dividindo a gestão da empresa com a maternidade e a jornada dupla em casa. Foi desse universo que partiu a conversa com Márcia Machado no Conecta Mente, programa da CDL FM com o Sebrae Minas.
Engenheira e fundadora do Espaço Amor de Mãe, Márcia transformou uma comunidade de mães em uma rede de lojas colaborativas em shoppings, com um objetivo que nunca mudou: fazer a renda circular entre as mães.
Da comunidade materna à primeira loja colaborativa
O Amor de Mãe não nasceu como negócio. Márcia criou um grupo para as mães trocarem experiências sobre maternidade. Depois de uns dois anos e meio à frente dele, percebeu que a maioria dos problemas relatados não tinha a ver com fralda, pediatra ou amamentação, e sim com a falta de renda. O grupo, que tinha 8.900 mães na época, hoje reúne mais de 200 mil.
Vieram as reuniões de networking só para mulheres, em 2017, depois uma feira de mães empreendedoras e, por fim, a primeira loja colaborativa de mães do Brasil. Márcia faz questão de dar o crédito: a ideia de virar feira e loja veio de uma gerente de marketing do Shopping Del Rey. Em seis meses, uma loja virou oito.
Márcia Machado e o pano de prato que mudou de preço
Em 2022, o projeto foi um dos 11 escolhidos pela aceleradora do Facebook entre mais de 4.800 inscritos. A história apresentada foi a de uma mãe que pintava panos de prato em casa e vendia na porta de um supermercado por R$ 5,50. Na loja do BH Shopping, numa embalagem nova, o mesmo pano passou a custar R$ 22. A renda dela saiu da faixa de R$ 1 mil para R$ 4 mil ou R$ 5 mil.
Para Márcia, o maior ganho do modelo é outro: o tempo. Cada mãe trabalha na loja só uma vez por semana, vende o produto de todas e tem o próprio produto à venda nos sete dias. “O pulo do gato é que elas só trabalham uma vez por semana”, resumiu.
Renda como poder de escolha
Questionada sobre a barreira mais difícil para a mulher empreendedora, ela foi direta: a falta de rede de apoio. Para Márcia, nenhuma forma de empoderamento é tão libertadora quanto devolver a renda à mulher, porque a renda devolve também o poder de escolha. “A mulher para de fazer conta se ela pode separar e começa a pensar se ela quer separar”, disse.
A loja também profissionaliza: para entrar, é preciso emitir nota, aceitar cartão e fazer pós-venda. E cada estante tem a foto de quem produziu a peça. “O produto tem no shopping inteiro, propósito só tem na nossa loja.”
Assista à conversa com Márcia Machado no Conecta Mente
As lojas têm hoje mais de 500 pessoas na fila, e duas novas unidades no modelo pop-up abrem em novembro e dezembro. A curadoria é de produtos, não de pessoas. Quem quiser participar pode procurar Márcia pelo Instagram @marciamachado.
O episódio completo está no YouTube, com o link na bio do @multiprosa. Para conhecer as soluções do Sebrae Minas para o seu negócio, visite sebraemg.com.br.