
No Brasil, milhões de pessoas convivem com algum grau de deficiência auditiva. No mercado de trabalho, muitas ainda esbarram numa barreira que não está na capacidade profissional, e sim na falta de acessibilidade e de comunicação. A inclusão de pessoas surdas foi o tema da conversa com Mônica Lupatin no Conecta Mente, programa da CDL FM com o Sebrae Minas.
Especialista em tecnologia assistiva e inclusão social, Mônica é diretora de novos negócios da ICOM, plataforma de intermediação em Libras por videochamada. Ao apresentador Fernando Cardoso, ela falou dos desafios e dos caminhos para construir empresas inclusivas de verdade.
O que trava a inclusão de pessoas surdas nas empresas
Para Mônica, incluir é um desafio, e não adianta dizer que é fácil. Mas o maior obstáculo não é a falta de tecnologia nem de estrutura. “O grande desafio é o atitudinal”, afirmou. Primeiro, a empresa precisa desejar a inclusão. Depois, os gestores, do RH ao líder de cada equipe, precisam se empenhar nela.
O segredo, segundo ela, é ouvir as pessoas e perguntar o que falta para que o profissional tenha as mesmas oportunidades dos colegas. Foi assim que a ICOM ganhou um cliente: uma empresa que ouviu os colaboradores surdos e descobriu que eles precisavam de intérprete de Libras em tempo real, inclusive quando eram chamados de repente para uma reunião.
Oito anos sem conversar
Num evento de RH, uma gestora e um rapaz surdo do time dela testaram o serviço no estande da ICOM. Os dois conversaram por um bom tempo, com o intérprete na videochamada, até que ela se emocionou: trabalhavam juntos havia oito anos e nunca tinham conversado. Para Mônica, a história mostra que a tecnologia assistiva conecta pessoas e serve a todos, não só à pessoa com deficiência. “Quem sabe ela foi até mais importante para a gestora”, disse.
Libras é língua, e intérprete é profissional
Mônica lembra que a Libras é reconhecida como a língua oficial da comunidade surda no Brasil e precisa ser respeitada como tal. Não dá para exigir que todos os funcionários saibam Libras, e quem fez um curso básico não está pronto para traduzir uma reunião ou um treinamento. “Seria a mesma coisa que chamar uma pessoa que tem o nível 1 de inglês para intermediar uma reunião”, comparou.
Saber o básico ajuda no acolhimento, como dar bom dia ou agradecer. Para a comunicação efetiva, a empresa pode contratar intérpretes por demanda, ter intérpretes na equipe ou usar plataformas como a ICOM, que funciona 24 horas por dia e põe um intérprete na tela em até 90 segundos. Para contratar pessoas com deficiência, ela sugere procurar grupos nas redes sociais ou empresas de recrutamento especializadas.
Enxergar pessoas, e não deficiências
No comércio e nos serviços, a primeira atitude é preparar a equipe da linha de frente para atender a todos. A surdez é uma deficiência invisível: só se percebe quando a pessoa começa a se comunicar. Há também o lado do negócio. Quem favorece a inclusão se torna uma marca simpática para a pessoa com deficiência, a família e os amigos dela. Mônica citou uma hamburgueria de São Paulo, cliente da ICOM, que virou ponto de encontro da comunidade surda.
No recado final, ela convidou os empreendedores a tirar os rótulos e conhecer quem foi contratado, “para que a gente enxergue capacidades, ao invés de enxergar deficiências”.
O episódio completo está no YouTube, com o link na bio do @multiprosa. Para conhecer as soluções do Sebrae Minas para o seu negócio, visite sebraemg.com.br.