No livro “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry, a raposa diz ao Pequeno Príncipe que, se alguém vier às quatro da tarde, desde as três o coração já começa a se alegrar. Quanto mais a hora se aproxima, maior se torna a expectativa. Mas a raposa faz uma observação importante: se a pessoa chegar a qualquer momento, sem aviso, não há como preparar o coração. Por isso, ela afirma que são necessários vários ritos.
A palavra pode parecer distante da vida cotidiana, mas o significado é muito concreto. Durante muito tempo, as relações humanas foram organizadas por pequenos costumes: o almoço de domingo em família, a conversa no portão no fim da tarde (olha, que saudade disso!), o telefonema que sempre acontecia no mesmo dia da semana. Esses hábitos criam uma espécie de ritmo nos encontros.
Hoje, muita coisa mudou. As mensagens chegam a qualquer hora, os compromissos são remarcados com facilidade e quase tudo acontece de maneira improvisada. Com isso, muitas vezes também se perde algo importante: o tempo de esperar. Esperar não é apenas um intervalo vazio; é o momento em que o coração começa, aos poucos, a se alegrar com a chegada de alguém. É nesse tempo silencioso que se descobre o valor que certas pessoas têm na nossa vida. E esperar a pessoa chegar, esperar aquele momento… é tão bom.