Esses dias, saiu na mídia a notícia de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi interditado a pedido dos filhos em função de um Alzheimer avançado. Existe uma crença de que, se a gente lê muito, estuda sempre e faz palavras cruzadas todos os dias, o cérebro ficará blindado contra o Alzheimer. A verdade é um pouco mais complexa.
A chamada doença de Alzheimer pode aparecer mesmo em pessoas como Fernando Henrique Cardoso, que sempre foram curiosas, leitoras e intelectualmente ativas. O cérebro não funciona como um cofre que a gente tranca com conhecimento para impedir qualquer invasão. Há fatores genéticos, biológicos e o próprio envelhecimento que também entram nessa equação.
Mas isso não significa que ler, estudar ou aprender coisas novas seja inútil. Muito pelo contrário: essas atividades ajudam a construir o que os neurologistas chamam de reserva cognitiva. É como se o cérebro criasse mais caminhos para chegar ao mesmo lugar. Se um caminho falha, existem outros. É importante cultivar um cérebro mais flexível, mais cheio de trilhas.