Eu estava ouvindo um show do João Gomes com a participação do Vaqueirinho quando eles começaram a cantar “Fogão de Lenha”, música que ficou eternizada na voz de Chitãozinho e Xororó. E, confesso, deu uma saudade danada. Saudade do tempo em que eu morava com minha mãe e tinha todos os dias o carinho simples do abraço dela. Aquela música fala justamente disso: de quem precisou sair pelo mundo em busca de uma vida melhor, mas nunca saiu de verdade do lugar de onde veio.
A canção é cheia de imagens que parecem pequenas, mas que dizem tudo. O bule de café, o fogão de lenha, a rede na varanda. Coisas simples que, quando a gente está longe, viram quase um pedaço da alma. E, ouvindo aquilo, pensei no quanto a vida moderna vai nos afastando dessa simplicidade que sustenta a gente por dentro. A correria, as metas, os caminhos que escolhemos ou que a vida escolhe por nós.
Por isso, essa música toca tanto, porque ela lembra uma coisa muito humana: a necessidade de voltar para casa. E nem sempre casa é o endereço. Às vezes, é um colo, uma memória, um cheiro de café passando. A canção inteira é linda, mas pense direitinho nesta fala: “Espere, minha mãe, que eu estou voltando. Que falta faz para mim um beijo seu.”