A linguista, escritora (e agora atriz) Conceição Evaristo é uma das homenageadas da CineBH 2026. A entrega do Troféu Horizonte ocorreu nessa terça–feira (22/9), na abertura da mostra de cinema, no Cine Theatro Brasil. A mineira, que tinha presença confirmada no evento, não conseguiu comparecer, mas participou on–line para agradecer à premiação.
Evaristo tem carreira consolidada na literatura, tendo lançado romances, contos, poemas e ensaios. Aos 79 anos, a escritora expande seu repertório ao estrear como atriz no filme “Se eu fosse vivo… vivia”, do cineasta mineiro André Novais de Oliveira. Na tela, Conceição e Norberto Novais Oliveira, vivem o casal Gilberto e Jacira, uma dupla carismática e carinhosa que precisa lidar com o drama de uma doença após 50 anos juntos.
“Esse grande momento que eu estou vivendo, com esse Troféu Horizonte, ele simboliza um novo momento que vivo em BH, uma nova experiência. Mas, por um lado, ele também carrega toda uma memória que eu tenho de Belo Horizonte, desde quando eu saí até essas voltas sucessivas a Belo Horizonte, me recebendo de uma outra forma, e pisando nessa cidade de uma outra forma”, declarou a artista.
Estreia premiada
O longa–metragem que marca a estreia da linguista como atriz foi premiado no 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no úiltimo sábado (19/9). Conceição Evaristo agradeceu André por tê–la escolhido para protagonizar a produção. “Quando você me convidou, eu perguntei ‘você sabe o que é que você está fazendo'”, relembrou a artista, arrancando risadas da plateia.
“Porque foi uma experiência inusitada, jamais pensei em vivê–la. Vocês me fizeram. A receptividade da equipe, todas as pessoas me deixaram bastante à vontade para perguntar, para brincar, para experimentar”, disse Evaristo sobre sua experiência atuando no filme.
Conceição também cobriu o cineasta de elogios. “André é um diretor mais do que humano. É impressionante como no cinema dele, na calma dele, ele vai dando dicas. E é interessante que ele interfere quase como que pedindo permissão para dar dicas. E você não precisa pedir permissão, porque você sabe”.
Além da linguista e atriz, a 20ª CineBH também homenageou a realizadora paraguaia Paz Encina, uma das mais importantes cineastas da América Latina. Ela também recebeu o Troféu Horizontes e reverenciou outros colegas cineastas ao listar no palco filmes que impactaram sua vida.
A noite da Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte reuniu mais de 1 mil pessoas para assistir às homenagens e à pré–estreia de “Se eu fosse vivo… vivia”. O evento vai até este domingo (27/9), refletindo sobre o tema “Cinema latino–americano, o que será?”. A programação gratuita passará por locais como Cine Humberto Mauro, Cine Theatro Brasil, Cine Belas Artes e mais (confira aqui).