O Cura BH 2026 encerra o ciclo de cinco anos de intervenções na Praça Raul Soares, no Centro de Belo Horizonte, com três novas pinturas em grande escala. As obras de Ailton Krenak, Mônica Nador e Rafaela Ianni passam a integrar o acervo do Festival de Arte Urbana, que em 2027 completa dez anos e retorna à Rua Sapucaí, onde começou.
A principal novidade desta edição é a primeira pintura em grande escala assinada por Ailton Krenak. Aos 72 anos, o escritor, jornalista e filósofo realizou a obra “Watu Hoõn” (Voz do Rio), que ocupa 555 m² da fachada do Edifício Pignataro e utilizou 627,5 litros de tinta.
A pintura faz referência ao Rio Doce após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. A obra também cita o verso “um rio passava seus peixes no fundo do meu quintal”, da canção “Vida”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.

Krenak é o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e autor de livros como “A Vida Não É Útil” e “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”. A nova obra é a nona empena de arte indígena do acervo do CURA, formado entre Belo Horizonte e Manaus.
Mônica Nador pinta o Edifício Florença
No Edifício Florença, a artista Mônica Nador assina “Céu Limpo”. A pintura reúne estrelas amarelas de oito pontas sobre um fundo azul e foi executada com a técnica de estêncil, desenvolvida pela artista ao longo de sua trajetória.
Para realizar a obra, a equipe mediu a fachada e, a partir do desenho de Nador, definiu as dimensões das estrelas, que têm 40 por 43 centímetros. Ao todo, foram produzidos 50 moldes de papel kraft cortados a laser e aplicados individualmente na parede. A pintura utilizou 115,5 litros de tinta. Nador, de 71 anos, é fundadora do JAMAC e uma das muralistas destacadas na cena brasileira.

Rafaela Ianni leva arte ao Edifício JK
Pela primeira vez, o CURA também ocupa o Edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer. A intervenção de Rafaela Ianni está no muro externo do caracol do prédio, que também passou a integrar a programação do festival por meio de visitas guiadas realizadas em parceria com o projeto Viva JK.
Segundo Priscila Amoni, cofundadora do Instituto CURA, a intervenção representa uma nova etapa na relação entre o edifício e a Praça Raul Soares. “A pintura do caracol celebra a efetividade de uma agência cultural como a do CURA em um território. Somos muito mais que um festival, somos um projeto que de fato impacta o território por onde passa”, afirma.
Amoni também destaca que a relação entre o CURA e o projeto Viva JK começou em 2021, quando o festival chegou à praça. Para ela, a intervenção contribui para aproximar o edifício do espaço público.

CURA volta à Rua Sapucaí em 2027
Com o encerramento das pinturas na Praça Raul Soares, o festival se prepara para uma nova etapa. Em 2027, quando completa dez anos, o CURA retorna à Rua Sapucaí, na região Leste de Belo Horizonte, primeiro mirante de arte urbana da cidade.
A edição de 2026 foi realizada pelo Instituto CURA e pelo Ministério da Cultura, com produção da AGUA – Agência Urbana de Arte e recursos das leis Estadual e Municipal de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e Belo Horizonte.