
Um erro no mercado de paletas mexicanas e a vontade de inovar no interior de Minas Gerais foram os ingredientes que deram origem a uma das maiores franquias de açaí do país. No mais recente episódio do Conecta Mente, Paulo Leite e Fernando Cardoso receberam Diego Dutra, fundador do Jah Açaí, para uma conversa inspiradora sobre transição de carreira, inovação no modelo de negócios e a expansão internacional de uma marca genuinamente mineira.
A falsa segurança da CLT e o salto para o empreendedorismo
Diego tinha apenas 21 anos quando decidiu que não queria seguir o caminho tradicional da sua região, fortemente marcada pela indústria mineradora e siderúrgica. Mas a virada não foi impulsiva. “Eu continuei trabalhando na empresa que eu trabalhava na época por durante 4 anos e meio ainda até entender que meu negócio de fato estava maturado”, contou.
Ele começou o negócio em Conselheiro Lafaiete, apostando alto desde o início ao se instalar na vitrine da cidade para atender a todos, o que trouxe responsabilidades financeiras que tiravam seu sono no começo. Manter-se na CLT foi a estratégia encontrada para garantir que, caso o negócio precisasse durante sua maturação, ele teria capital próprio para aportar, sem colocar a operação em risco.
O gargalo do sucesso e a revolução do autoatendimento
Ouvir o cliente sempre foi o forte de Diego. Quando os consumidores começaram a pedir outras opções para os acompanhantes que não gostavam de açaí, ele adicionou sorvetes. A estratégia funcionou tão bem que gerou um novo problema: as filas. Com um tempo de entrega de 3 a 4 minutos no balcão, os clientes viam o tamanho da fila e começavam a desistir.
A solução encontrada mudou a trajetória da empresa. “Fomos o primeiro açaí a ser colocado em modelo de autoatendimento”, explicou Diego. A mudança trouxe extrema agilidade, melhorou exponencialmente a margem de lucro com a venda por peso e eliminou as reclamações sobre a falta de padronização na textura. Além disso, gerou uma experiência lúdica para o cliente, que agora ganhava a liberdade de escolher o tamanho da sua porção e remover a barreira do preço mínimo do cardápio.
Quando um fracasso impulsiona uma expansão nacional
A virada de chave para a grande escala veio da união com Rafael, atual sócio de Diego. Rafael enfrentava o fim da “onda” das paletas mexicanas e começou a rodar o interior de Minas Gerais para tentar reverter o investimento feito em freezers. Ao conhecer o modelo do Jah Açaí funcionando perfeitamente em Conselheiro Lafaiete, ele não teve dúvidas e propôs o modelo de franquia.
A partir dessa parceria, a marca ganhou receitas exclusivas e um forte apelo de saudabilidade: produtos sem corantes, sem conservantes, sem gordura hidrogenada e sem glúten. A primeira unidade franqueada foi vendida em março de 2016, e hoje a rede já conta com 183 lojas espalhadas pelo Brasil, além de operações na Europa.
A internacionalização e a força do modelo mineiro
A expansão para a Alemanha e Portugal provou que o formato do Jah Açaí funciona muito além das fronteiras do Brasil, desde que haja profundo respeito à cultura local. “Eles dão muito valor ao açaí no primeiro momento porque a Europa como um todo tem um sorvete já de muita qualidade num ticket médio bem baixo”, pontuou o empresário.
Enquanto algumas concorrentes europeias vendiam açaí por impressionantes 12 euros, o Jah Açaí chegou com uma estratégia agressiva cobrando 6,50 euros, mas entregando um produto com 60% de polpa de fruta — praticamente o dobro da concentração das outras marcas. Para Diego, o aprendizado de toda essa jornada se resume em não esquecer os três grandes pilares do sucesso de um negócio: ponto, produto e pessoas.
Conecta Mente
O Conecta Mente é apresentado por Paulo Leite e conta com a participação de Fernando Cardoso. O programa vai ao ar toda terça-feira, às 09h, na CDL FM.
O episódio completo está disponível no canal do YouTube Multiprosa.