A exposição de Jandyra Waters entra em cartaz entre os dias 4 de agosto e 4 de setembro, em BH. Com mais de 50 obras produzidas entre 1962 e 2016, a mostra apresenta um panorama da trajetória da pintora, escultora, gravadora e poeta, considerada um dos nomes mais importantes da abstração geométrica brasileira. A curadoria é de Errol Flynn Júnior.
A retrospectiva marca a primeira exposição individual de Jandyra Waters na capital mineira e presta homenagem à artista, que manteve intensa produção artística e literária até falecer, em janeiro de 2025, aos 103 anos. A iniciativa também acompanha o movimento de reavaliação crítica de sua obra, reconhecendo sua contribuição para a ampliação da abstração geométrica no Brasil.
A mostra será na Errol Flynn Galeria, no bairro Lourdes, região Centro–Sul de Belo Horizonte. A abertura está marcada para as 19h30, na próxima terça–feira (4/8), e o período expositivo será de segunda a sexta–feira, de 10h às 19h, e aos sábados, das 10h às 15h.
Trânsito entre linguagens e tendências
Segundo a curadora e crítica de arte Denise Mattar, a exposição celebra uma trajetória marcada pela experimentação visual. “A presente exposição não apenas celebra a longevidade e a coerência de uma obra, mas evidencia a capacidade de Jandyra Waters de transitar entre linguagens e tendências, mantendo sempre a cor e o tempo como núcleos de sua pesquisa visual”.
A mostra evidencia o lirismo presente na geometria desenvolvida pela artista, frequentemente associada ao conceito de “Geometria Sensível”. Para Denise Mattar, Jandyra construiu uma linguagem própria, intuitiva e distante do rigor do concretismo, consolidando uma produção singular ao longo de seis décadas.
Além da homenagem à artista, a exposição reforça a proposta da Errol Flynn Galeria de ampliar o acesso à produção artística brasileira. “A importância da exposição para a galeria é dar sequência ao trabalho de difusão da cultura brasileira em outro espectro”, destaca o marchand Leonardo Reis.
No catálogo da exposição de Jandyra Waters em BH, os críticos Denise Mattar e Enock Sacramento analisam a relevância de sua trajetória. Para Sacramento, a artista representa um exemplo de como mulheres ligadas à abstração geométrica foram historicamente marginalizadas em narrativas centradas nos protagonistas masculinos do Concretismo e do Neoconcretismo.
De acordo com o crítico, esse cenário vem mudando nas últimas décadas, com uma revisão historiográfica que reconhece a importância da produção de Jandyra Waters para a arte brasileira e latino-americana. A maior parte das obras reunidas na retrospectiva pertence à fase construtiva da artista, considerada a mais representativa de sua carreira.
A pesquisadora Talita Trizoli também destaca que a reavaliação da obra de Jandyra amplia a compreensão sobre a participação feminina no desenvolvimento da abstração geométrica no país.
Trajetória de Jandyra Waters
Nascida em Sertãozinho, no interior de São Paulo, Jandyra Waters iniciou sua carreira na pintura figurativa antes de migrar para a abstração geométrica. Após um período de estudos na Inglaterra, aprofundou sua pesquisa artística em diferentes técnicas e participou de importantes eventos, como a Bienal de São Paulo.
Sua produção integra acervos de instituições como o MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo), o MAC-USP (Museu de Arte Contemporânea da USP), a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu de Arte Brasileira da FAAP.
Exposição de Jandyra Waters em BH
Data: 4 de agosto a 4 de setembro
Horário de visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 15h
Local: Errol Flynn Galeria de Arte | Rua Curitiba, 1862 – Lourdes
Entrada gratuita