O Cura BH 2026 recebe, a partir desta quarta-feira (19/8), uma obra inédita de Mônica Nador. Uma das principais muralistas do país, a artista de 71 anos leva sua pesquisa com padrões e pintura coletiva para uma empena no Edifício Florença, no Centro da capital mineira. O trabalho pode ser acompanhado da Praça Raul Soares durante a realização do festival.
Conhecida pela atuação em bairros periféricos de São Paulo, Nador desenvolve há décadas pinturas em muros a partir de padrões criados em parceria com os moradores. A prática, iniciada nos anos 1990, recebeu o nome de Paredes Pinturas e já foi levada pela artista a países como Cuba, Japão e Estados Unidos.
Mônica Nador leva trabalho coletivo ao Cura
A trajetória de Mônica Nador está diretamente ligada à relação entre arte e comunidade. No Jardim Miriam, em São Paulo, a artista fundou o Jamac (Jardim Miriam Arte Clube), espaço no qual a criação das obras é compartilhada com os moradores.
A participação no Cura BH 2026 representa uma mudança de escala para a artista. Segundo a curadora convidada Luciara Ribeiro, é a primeira vez que Nador realiza uma pintura com as dimensões de uma empena do festival.
“A Mônica vem de uma geração que fez do questionamento social da arte não um tema, mas uma ação prática. No Jamac, o trabalho é de muitas assinaturas. No Cura, ela assina sozinha, num momento de experimentação”, explicou Ribeiro.
Para a curadora, a mudança também altera a relação da obra com o público. Enquanto os trabalhos de Nador costumam ocupar paredes baixas e ser observados de perto, a empena permite que a pintura seja vista à distância e estabeleça uma comunicação direta com a cidade.
Artista é referência na técnica do estêncil
A escolha de Nador para a edição foi feita pelas idealizadoras do Cura, Priscila Amoni e Janaína Macruz, em conjunto com Luciara Ribeiro. A artista é reconhecida pelo uso da técnica do estêncil e por uma produção que aproxima a criação artística da participação comunitária.
“A Mônica é uma mestra há muito tempo, uma referência na técnica do estêncil, com autoridade no que faz. É essa sabedoria que a edição quis trazer para a praça”, afirmou Priscila Amoni.
A obra integra o tema do Cura BH 2026, “Descansar Enquanto”. De acordo com Luciara Ribeiro, a proposta não trata o descanso como interrupção, mas como uma forma de continuar criando e produzindo com respeito aos próprios limites. A pintura de Mônica Nador ocupa uma empena do Edifício Florença, na Rua Guaranis, 555, no centro de Belo Horizonte.
Cura 2026 tem programação gratuita
O Cura 2026 – Festival de Arte Urbana será realizado entre 19 e 30 de agosto, na Praça Raul Soares, com programação gratuita e aberta ao público. A edição marca a última realização do festival no local.
A participação de Nador integra uma programação que reúne artistas e intervenções de arte pública na região central de Belo Horizonte. O festival é realizado pelo Instituto Cura e pelo Ministério da Cultura, com produção da Afua (Agência Urbana de Arte).