Quando a CASACOR Minas 2026 terminar, quase tudo que está montado nos jardins da PUC Minas Lourdes será desmontado. Menos uma coisa: o Pavilhão OCA ArcelorMittal, entregue nesta sexta-feira (11/9) à universidade e que fica no campus em definitivo.
A cerimônia aconteceu às 9h30, com a presença da diretoria da ArcelorMittal, da PUC Minas, da CASACOR Minas e dos parceiros do projeto. É a primeira vez, em 21 anos de parceria da siderúrgica com a mostra, que uma obra permanece no lugar onde foi construída.
Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM, explicou em entrevista à CDL FM que os projetos anteriores sempre mudaram de endereço depois da mostra.
“Nós já fizemos outras obras também emblemáticas, mas todas elas migraram da CASACOR para uma outra localidade. Essa é a primeira que fica: ela nasce, continua e permanece”, afirmou.
Para o executivo, a entrega tem um segundo sentido além do legado físico.
“É um presente, mas eu tenho dito que é mais do que um presente, é um convite. A indústria passa por um processo de transformação e nós não temos todas as respostas para essa transformação. Nós precisamos construir as respostas juntos, e a academia é parte das pessoas que podem nos ajudar a encontrar as respostas”, disse Negresiolo.
O que o espaço vira no campus
Depois do fim da CASACOR Minas, o pavilhão passa a funcionar como equipamento permanente da PUC Minas Lourdes, com uso previsto para:
- auditório aberto;
- aulas ao ar livre;
- eventos culturais;
- convivência diária da futura Escola de Arquitetura e Urbanismo.
A expectativa do projeto é que a vegetação ocupe a trama de aço com o tempo, integrando a estrutura aos jardins históricos tombados do campus.
O aço que sai de dentro do concreto
O projeto é assinado pelo escritório BCMF Arquitetos e inverte a lógica de um dos materiais mais comuns da construção civil: o vergalhão, que normalmente fica escondido dentro do concreto armado.
“O vergalhão está presente em praticamente tudo que a gente olha numa cidade, só que ele está dentro do concreto, ele está dentro da estrutura, ele não está visível. E aqui a proposta dos nossos parceiros de arquitetura foi transformar o vergalhão no protagonista. Ele é estrutural, mas ele também é o grande protagonista arquitetônico”, explicou o CEO.
O material usado é o vergalhão da linha XCarb, produzido com 100% de sucata reciclável e energia renovável o que reduz a emissão de carbono em comparação com o aço convencional.
Negresiolo associou o resultado ao tema da mostra deste ano.
“O tema da mostra da CASACOR esse ano é mente e coração. A oca é um conceito milenar, um conceito indígena, com muita tecnologia aplicada nesse caso, com o vergalhão e com uma estrutura impressa em 3D. A gente tem mente e coração de maneira pragmática sendo implementada na obra”, afirmou.
A base do pavilhão com bancos, jardineiras e elementos de ancoragem foi produzida por impressão 3D em concreto especial, sem brita, em parceria com a startup mineira Cosmos 3D. As peças funcionam ao mesmo tempo como mobiliário urbano e fundação para os arcos de aço.