A participação de Ailton Krenak no Cura 2026 marca a estreia do escritor, filósofo e jornalista na pintura de empena, formato que ocupa a parede lateral de um edifício. Aos 72 anos, ele assina uma das duas obras da edição deste ano do festival de arte pública, cuja confecção pode ser acompanhada por quem passa pela Praça Raul Soares, em BH, até este domingo (30/8).
A pintura começou em 19 de agosto, no Edifício Pignataro, localizado na Avenida Augusto de Lima, 869. A obra é a última do Cura no entorno da Praça Raul Soares, onde a edição 2026 ocorre até domingo, com programação gratuita e aberta ao público.
Ailton Krenak estreia em empena no CURA
Nascido em 1953, em Itabirinha, no Vale do Rio Doce, Ailton Krenak pertence ao povo Krenak. Autor de livros como “Ideias para adiar o fim do mundo” e “A Vida Não é Útil”, tornou-se uma das principais vozes pela justiça socioambiental no país.
Krenak também participou da luta pela inclusão dos direitos dos povos indígenas na Constituição de 1988. Em 2023, tornou-se o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na ABL (Academia Brasileira de Letras).
Apesar de ser conhecido principalmente por sua produção intelectual, o artista também possui uma trajetória nas artes visuais. O convite para participar do festival partiu das idealizadoras do Cura, Priscila Amoni e Janaína Macruz, e da curadora convidada Luciara Ribeiro, pesquisadora dedicada às artes africanas, afro-brasileiras e indígenas.
A edição de 2026 decidiu homenagear dois mestres, e a participação de Krenak era um desejo antigo da curadoria. Para Luciara, levar a produção visual de um artista indígena para uma empena representa uma forma de reverenciá-lo em vida.
“É impactante pensar no desenho nessa escala de prédio, que vira paisagem. Tem um chamado para a subjetividade, para a poesia, para o sonho”, afirma Krenak sobre o trabalho.
Obra de Ailton Krenak pode ser vista na Praça Raul Soares
A pintura ocupa uma das duas empenas desta edição do Cura e é realizada à vista do público. A proposta busca estabelecer uma relação direta entre a obra, a arquitetura e o espaço urbano da Praça Raul Soares.
Segundo a curadora Luciara Ribeiro, o encerramento do ciclo do festival na praça também propõe uma reflexão sobre o tempo e sobre a ideia de permanência. A programação reúne dois artistas que, de acordo com ela, pensam um mundo coletivo e futuros possíveis. Mônica Nador é a responsável pela pintura da outra empena principal, no Edifício Florença.