Muita gente passa anos procurando o sentido da vida, como se ele estivesse escondido em algum lugar especial, esperando ser encontrado.
A experiência mostra outra coisa: o sentido não aparece pronto, ele é construído. Ele nasce no cuidado com alguém, no trabalho que contribui para algo maior e na responsabilidade que assumimos diante do mundo. Uma vida com sentido raramente é uma vida confortável; geralmente, envolve compromisso. O cantor Gonzaguinha, em “O que é, o que é?”, escreveu um verso conhecido: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz”. E completa dizendo que a vida é bonita, é bonita e é bonita. Esse verso não ignora a dureza da existência.
Ele afirma outra coisa: mesmo com todas as dificuldades, viver ainda vale a pena. Sentido não é uma resposta filosófica perfeita, é direção. Quando alguém descobre por quem ou pelo que vale a pena continuar, a existência ganha um eixo. E, veja bem: muitas vezes o existir e o continuar a existir vale muito mais por nós, em primeiro lugar, do que por um outro que possa vir em segundo. Assim, o cotidiano, mesmo cheio de desafios, deixa de ser apenas passagem de tempo.