Alberto acorda cedo, trabalha, anda pela cidade, cumpre suas obrigações. Não faz barulho, não chama atenção, não vira notícia. É apenas mais um entre tantos rostos que passam pela rua todos os dias. Alberto vive com milhares de pessoas.
Trabalhando, tentando dar conta da vida, carregando seus pequenos sonhos e suas preocupações silenciosas. A genialidade de Vinícius e Toquinho está justamente aí: olhar para alguém que quase ninguém vê e transformá-lo em personagem de uma canção. Um dia Alberto, sofrendo de solidão, deseja não mais viver. A cidade está cheia de albertos.
Gente que passa pela vida sem aplauso, sem manchete, mas querendo ser percebido e amado. A música é triste. O Alberto acabou sumindo de vez. Aliás, me desculpe, eu também não devo tê-lo percebido direito. O homem não se chamava Alberto. Chamava-se Alfredo. Um homem chamado Alfredo, de Vinícius e Toquinho.
