Você sabia que o Brasil tem uma das naturezas mais ricas do planeta e a maior biodiversidade do mundo? Só que, mesmo tendo mais de 49.000 espécies nativas, cerca de 90% da vegetação usada no paisagismo por aqui é de origem estrangeira. É um absurdo ou não é?
Isso tem raízes culturais profundas e provoca uma série de problemas, que vão desde a invasão biológica até uma enorme erosão cultural, já que as pessoas acabam não reconhecendo nem valorizando o que é delas. No Brasil, não se tem o costume de enxergar as plantas nativas como um objeto de deleite, de prazer e de beleza. Esse comportamento reflete diretamente na conservação dos remanescentes naturais: afinal, se as pessoas não entendem aquilo como algo importante, elas não preservam o que sobrou da nossa natureza.
Mas vamos entender um pouco melhor o conceito. Para a ciência, uma planta nativa é aquela que já ocorria em uma determinada região antes da chegada dos colonizadores europeus. A proposta mais saudável para os nossos jardins e praças, e para quem mora em casa, tem um sítio ou cuida de uma área verde, é usar mais essas espécies de regiões próximas, permitindo assim a valorização cultural e ambiental dos biomas locais.
Aí vem a pergunta: será que é fácil encontrar planta nativa à venda? Pelo que vemos na maioria das floriculturas e viveiros, é muito mais comum encontrar aquelas plantas “pasteurizadas”, que poderíamos chamar de plantas fast food, ou seja, espécies padronizadas que são comercializadas em qualquer lugar do planeta. Será que conseguimos mudar essa realidade? Tomara.