A peça “O amor possível” será apresentada em BH, entre os dias 24 e 26 de julho. A curta temporada marca o encerramento das comemorações pelos 30 anos do Teatro Diadokai e traz à capital mineira a primeira adaptação teatral do romance “A caverna”, do escritor português José Saramago.
Inspirado na obra do único autor de língua portuguesa vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, o espetáculo acompanha a trajetória do oleiro Cipriano Algor, da viúva Isaura Madruga e do cão Achado. Em cena, a atriz Priscilla Duarte interpreta todos os personagens, conduzindo uma narrativa sobre afeto, amizade e transformação.
A apresentação da peça ocorrerá no Teatro João Ceschiatti, no Palácio das Artes, às 20h nos dias 24 e 25, e às 18h no dia 26 de julho. Os ingressos custam a partir de R$ 15 (meia–entrada e promocional) e estão disponíveis neste link.
Peça aborda envelhecimento e pertencimento
A adaptação concentra-se na relação amorosa entre dois viúvos, preservando a oralidade e a musicalidade características da escrita de Saramago. Com direção assinada por Priscilla Duarte e Ricardo Gomes e adaptação em parceria com François Kahn, a montagem também aborda temas como envelhecimento, pertencimento, trabalho, tecnologia e reinvenção.
Segundo Priscilla Duarte, a escolha por destacar a história de amor presente em “A caverna” surgiu durante o processo de adaptação do romance. A atriz afirma que esse núcleo narrativo revela “o amor possível entre pessoas comuns”, transformando uma trama intimista em ponto de partida para reflexões sobre as relações humanas e os desafios do cotidiano.
A encenação aposta em recursos cênicos minimalistas. Uma mesa, uma cadeira, ferramentas de oleiro e o barro modelado ao vivo compõem o cenário, enquanto a atriz alterna narradora e personagens apenas por meio da voz, do corpo e de pequenas transformações em cena. A proposta busca aproximar público e intérprete, criando uma experiência de escuta e contemplação.
Para Priscilla Duarte, a presença do barro possui papel central na construção da narrativa. Além de representar a cerâmica produzida pelo protagonista, o material simboliza a capacidade de transformação humana ao reunir elementos como terra, água, fogo e ar. A diretora destaca que a encenação convida os espectadores a desacelerarem o ritmo e compartilharem um encontro mais sensível.
Circulação do espetáculo
Desde a estreia nacional, em 2023, o espetáculo percorreu diferentes cidades e eventos culturais, como o Festival Solos Férteis, em Brasília, o Fórum das Letras de Ouro Preto, o Festival de Teatro e a Feira do Livro de Itabirito. A circulação também incluiu apresentações em comunidades quilombolas, instituições de longa permanência para idosos, centros culturais e atividades formativas.
Fundado em 1996 por Priscilla Duarte e Ricardo Gomes, o Teatro Diadokai desenvolve uma pesquisa voltada à dramaturgia da atuação sob perspectiva transcultural, influenciada pela formação dos artistas no Teatro Tascabile di Bergamo, na Itália. Desde 2009, o grupo mantém atuação em Minas Gerais, conciliando produção artística, formação de artistas, pesquisa acadêmica e projetos de democratização.
Diadokai 30 anos apresenta: ‘O amor possível’
Data: 24, 25 e 26 de julho
Horário: sexta–feira e sábado, às 20h; domingo, às 18h
Local: Palácio das Artes | Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro (Teatro João Ceschiatti)
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/122327/d/392910/s/2591887?