
O Conecta Mente desta semana abordou um dos temas mais críticos para o futuro das empresas familiares: a sucessão de lideranças. Apresentado por Paulo Leite e Fernando Cardoso, o programa recebeu o advogado Ricardo Chamon, especialista em planejamento sucessório e governança em empresas familiares. A conversa desmistificou os desafios enfrentados pelos fundadores na hora de passar o bastão e garantiu estratégias valiosas para a perenidade dos negócios.
A dura realidade das empresas familiares
Logo no início da prosa, Fernando Cardoso trouxe dados alarmantes de um curso da Fundação Dom Cabral sobre a sobrevivência das empresas familiares. Segundo os números apresentados no programa, 68% das empresas quebram na transição da primeira para a segunda geração, 88% da segunda para a terceira, e apenas 4% sobrevivem da terceira para a quarta geração.
Para Ricardo Chamon, o maior obstáculo não é a complexidade técnica da sucessão. O advogado defende que ter sucesso, juntar patrimônio e construir uma empresa em um país complicado como o Brasil é muito mais difícil do que organizar a sucessão. O problema é que muitos fundadores adiam o processo por não quererem lidar com assuntos delicados, conflitos de verdades ou com a própria finitude.
Qual é o momento certo para planejar?
Uma dúvida comum entre os empreendedores é identificar o momento ideal para iniciar o planejamento sucessório. Chamon explicou que a hora certa é quando o fundador percebe que se tornou difícil de substituir e que o seu desaparecimento repentino causaria impactos negativos profundos nos negócios, na família e na vida dos funcionários. Quanto mais “de supetão” o processo for feito, maior será o risco de dar errado e gerar danos graves.
Além disso, o especialista destacou que os conflitos familiares — como brigas entre herdeiros ou marido e mulher — são os fatores mais destrutivos para o negócio, superando até mesmo as dificuldades de mercado. O próprio ambiente jurídico no Brasil engessa a tomada de decisões, tornando uma briga societária familiar fatal para a empresa.
Profissionalização e o protagonismo das mulheres
A sucessão não significa, obrigatoriamente, que um herdeiro familiar deva assumir a direção executiva da empresa. Se os familiares não tiverem a competência, a vocação ou a vontade de liderar, o negócio não pode se tornar um “brinquedo”. Nesses casos, a empresa deve ser gerida por profissionais do mercado, enquanto a família atua na esfera do conselho.
Outro ponto alto da conversa foi a mudança no papel das mulheres nesse cenário corporativo. Chamon relatou que, nos anos 70, as mulheres eram frequentemente deixadas de lado nas sucessões. Hoje, no entanto, as herdeiras estão assumindo a liderança corporativa com muita competência e vontade, entregando excelentes resultados e quebrando o padrão de serem preteridas na governança familiar.
Um conselho para o futuro
Ao final do episódio, Ricardo Chamon deixou um conselho fundamental para os empresários: lembrem-se de que a empresa afeta a vida de muitas pessoas além do núcleo familiar, incluindo os funcionários e a sociedade. O planejamento sucessório e a neutralidade nas escolhas são, acima de tudo, um ato de responsabilidade e respeito com todos que dependem daquele ecossistema.
Conecta Mente
O Conecta Mente é apresentado por Paulo Leite e conta com a participação de Fernando Cardoso. O programa vai ao ar toda terça-feira, às 09h, na CDL FM.
O episódio completo está disponível no canal do YouTube Multiprosa.