
O empreendedorismo e a escalada da montanha mais alta do mundo exigem os mesmos recursos: planejamento rigoroso, gestão emocional e um propósito inabalável. No mais recente episódio do Conecta Mente, Paulo Leite e Fernando Cardoso receberam Aretha Duarte, que entrou para a história em 23 de maio de 2021 ao se tornar a primeira mulher negra latino-americana a alcançar o topo do Monte Everest. A conversa revelou os bastidores de uma jornada impulsionada pela coleta de 130 toneladas de materiais recicláveis e as lições de liderança que podem ser aplicadas na gestão de qualquer negócio.
O “PIB” que realmente importa: o Poder Interno Bruto
Quando questionada sobre o que a levou a superar limites tão extremos, Aretha apresentou um conceito transformador que ela define como “PIB” — o Poder Interno Bruto. Segundo a alpinista, esse poder é ativado quando o indivíduo reconhece sua própria potência e gerencia suas emoções de forma eficiente.
Para ela, a inteligência emocional, aliada à disciplina e ao planejamento, é o motor que permite a qualquer pessoa lidar com o medo, a ansiedade e a raiva diante dos desafios. “Desde que a gente faça uma gestão adequada dessas emoções e acredite na nossa potência para avançar em busca das nossas realizações, esse Poder Interno Bruto fica ativado”, explicou a convidada.
Da coleta de recicláveis ao teto do planeta
A escalada de Aretha começou muito antes da montanha. Nascida na periferia de Campinas e filha de migrantes pernambucanos, ela começou a trabalhar ainda criança, vendendo recicláveis pelas ruas. Quando decidiu encarar o Everest, o primeiro grande obstáculo foi financeiro: a expedição custava em torno de 400 mil reais, e a sua conta bancária estava zerada.
A solução foi resgatar sua raiz empreendedora e transformar o problema em um projeto estratégico. Durante 13 meses, ela trabalhou arduamente arrecadando as 130 toneladas de resíduos recicláveis que financiaram a viagem até o Nepal. Mais do que dinheiro, a iniciativa gerou um forte engajamento, provando que um objetivo grandioso só é alcançado quando se constrói uma “legião de pessoas engajadas nesse propósito em comum”.
As semelhanças entre a montanha e o mundo dos negócios
A vivência em condições extremas trouxe reflexões diretas para o mercado corporativo. Aretha traçou um paralelo claro entre liderar uma expedição rumo ao cume e fazer a gestão de uma empresa, especialmente em momentos de crise e de incertezas.
Ambos os cenários exigem estabelecer resultados e planejamentos bem definidos, comunicar-se de forma transparente, aprender a receber os inevitáveis “nãos” ao longo do percurso e saber administrar o coletivo. A capacidade de tomar decisões cruciais sob alta pressão, entendendo quando é a hora de avançar ou de recuar, é a essência tanto de um alpinista de sucesso quanto de um grande líder empresarial.
A potência da periferia e os próximos topos
Completando sua visão sobre transformação social, Aretha destacou que a periferia já possui uma força criativa e empreendedora gigantesca, focada muitas vezes na sobrevivência diária. O que falta para potencializar essas iniciativas é acesso a oportunidades estruturadas.
Agora, ela já tem a sua próxima grande montanha a ser escalada e um novo legado a construir. “Meu próximo Everest é ter paredes de escalada em todas as periferias do Brasil”, revelou, demonstrando que o topo só faz sentido quando a jornada permite construir caminhos para que outras pessoas também consigam subir.
Conecta Mente
O Conecta Mente é apresentado por Paulo Leite e conta com a participação de Fernando Cardoso. O programa vai ao ar toda terça-feira, às 09h, na CDL FM.
O episódio completo está disponível no canal do YouTube Multiprosa.