Pertencer é uma palavra bonita, não é? Mas, muitas vezes, pode ser usada de um jeito errado, como se pertencer fosse apenas estar junto, fazer parte de um grupo, aparecer numa foto, ser chamado para uma mesa, ter o nome numa lista. Só que a gente sabe que dá para estar cercado de gente e, ainda assim, não se sentir parte daquele ambiente. Você já reparou que há tanta gente que passa a vida tentando se encaixar?
Ajusta a voz, mede as palavras, esconde uma parte da história, disfarça a dor, controla o entusiasmo, evita certos assuntos. Aos poucos, vai aprendendo a ocupar os lugares pela metade. Está presente, mas não está inteira. Participa, mas com restrições. Sorri, mas vigiando a própria espontaneidade. Só que pertencer tem muito mais a ver com reconhecimento.
A solidão mais difícil nem sempre é a de quem está sozinho. Muitas vezes, é a de quem convive todos os dias com pessoas diante das quais precisa inventar e representar uma versão mais aceitável de si mesmo, só para ser aceito.