
O Parque Guanabara completa 75 anos cruzando gerações e colecionando histórias às margens da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. No mais recente episódio do Conecta Mente, Fernando Cardoso recebeu Gabriel Pereira, gerente comercial e representante da terceira geração da família, para um bate-papo sobre empreendedorismo, sucessão familiar e a inovação por trás de um dos parques mais queridos do Brasil.
De mecânico itinerante a fundador
A história do Guanabara começou na década de 1940 com o avô de Gabriel, que trabalhava como mecânico em um parque de diversões itinerante. Em 1951, na cidade de Cachoeiro de Itapemirim, ele decidiu dar um passo ousado e inaugurar o próprio parque. Sem muitos recursos, a estratégia para captar dinheiro era inusitada: ele usava um carro Mercedes como “cheque caução” para conseguir crédito com os empresários das cidades do interior por onde passava.
A chegada a Belo Horizonte
A vida itinerante trouxe o parque para Belo Horizonte em 1964, passando por vários locais da capital mineira. O sonho de ter um ponto fixo, para evitar o desgaste de montar e desmontar a estrutura constantemente, materializou-se na orla da Lagoa da Pampulha. O terreno foi adquirido em 1970 e o Parque Guanabara foi oficialmente inaugurado no local em 1971, transformando o que antes era apenas uma área de fazenda em um marco de entretenimento.
Gestão conservadora e foco na segurança
Manter um negócio familiar de pé por sete décadas exige extrema responsabilidade. Gabriel revelou que o maior legado deixado por seu avô e por seu pai, Paulo Pereira, é a regra de ouro: nunca dar um passo maior que a perna. Essa gestão financeira conservadora e o foco em ter caixa garantiram que o parque sobrevivesse aos 15 meses de portas fechadas durante a pandemia de Covid-19 sem recorrer a bancos.
Além disso, a segurança é o pilar central da cultura da empresa. Os investimentos constantes em atrações de peso, como as recentes montanhas-russas importadas na casa dos 7 milhões de reais, vêm sempre acompanhados de rigorosos protocolos internacionais para garantir o bem-estar dos clientes.
O futuro dos parques e o fator humano
Mesmo com o avanço da tecnologia e o entretenimento nas telas, Gabriel é categórico ao afirmar que a conexão física dentro dos parques nunca vai acabar. “Nós somos seres humanos e precisamos ter contato com gente”, pontuou. A empresa mantém um foco gigantesco em adaptar seu mix de brinquedos para garantir que o ambiente atenda a família inteira, desde as crianças até os avós.
Conecta Mente
Nesta edição, o Conecta Mente foi apresentado por Fernando Cardoso. O programa vai ao ar toda terça-feira, às 09h, na CDL FM. O episódio completo está disponível no canal do YouTube Multiprosa.