
O Conecta Mente mergulhou nas profundezas do mundo corporativo para debater uma questão que desafia negócios de todos os tamanhos: por que, mesmo com tantos avanços, a formação de líderes e a presença feminina no poder ainda enfrentam barreiras tão profundas?
Com Paulo Leite e Fernando Cardoso na bancada, a convidada desta edição foi Surama Jurdi, especialista global em varejo, cultura organizacional e excelência em serviços. Com uma bagagem que inclui dezenas de imersões no Disney Institute e atuações em países como Singapura e Emirados Árabes, Surama explicou como a liderança disruptiva e o cuidado genuíno com as equipes são os verdadeiros motores do resultado sustentável.
Liderança feminina: uma questão de estratégia, não de tendência
Um dos grandes paradoxos do varejo global é que, embora as mulheres representem cerca de 80% do público consumidor, as cadeiras de decisão ainda são predominantemente ocupadas por homens. Surama destacou que a mudança desse cenário passa diretamente pela cultura da empresa.
Ela citou exemplos práticos de sua atuação na Ásia e no Oriente Médio. Nos Emirados Árabes, por exemplo, a presença expressiva de mulheres em cargos de liderança no governo e em grandes bancos não é um acaso, mas uma decisão estratégica de negócios. “A mulher pode ser extremamente competente, mas se não houver um ambiente e uma cultura orientada para aceitá-la no poder, isso não vai acontecer”, pontuou a especialista.
Cultura organizacional além da placa na parede
Para Surama, o sucesso de qualquer negócio está 100% relacionado à sua cultura, mas isso vai muito além de pendurar “missão, visão e valores” na parede. Tudo começa com a alta liderança (o board da empresa) vivendo e respirando esse propósito. Se a liderança não é coerente com o que prega, qualquer tentativa de inovação ou de adoção de políticas de diversidade vira apenas “maquiagem” e não se sustenta a longo prazo.
Inspirada no modelo de excelência da Disney, ela ressaltou que a verdadeira alta produtividade só é alcançada quando a empresa cuida da saúde mental e emocional de seus colaboradores. “Como é que eu consigo ter alta produtividade com pessoas emocionalmente doentes? A gente tem que olhar para a equipe, engajar as pessoas e contar a mesma história para o cliente, o colaborador e o fornecedor”, explicou.
Resultados e o impacto do “Day One”
Muitas empresas cobram metas agressivas, mas falham no básico: o alinhamento. Surama alertou que o colaborador precisa saber, desde o seu primeiro dia (day one), o que a empresa espera dele, qual problema ele veio resolver e quais ferramentas ele terá para alcançar esse objetivo. Se o colaborador não “gira o ponteiro” e não gera resultados, muitas vezes o erro começou lá atrás, na falta de treinamento e clareza sobre o propósito da organização.
Ao final do bate-papo, Surama deixou um conselho valioso para as ouvintes e espectadoras: “Mulherada, não tente liderar como homem. O mundo precisa da nossa sensibilidade. Seja sempre você mesma.”
Conecta Mente
O Conecta Mente é apresentado por Paulo Leite e conta com a participação de Fernando Cardoso. O programa vai ao ar toda terça-feira, às 09h, na CDL FM.
O episódio completo com Surama Jurdi está disponível no YouTube do Multiprosa.
