Morreu nessa sexta-feira (27), em Belo Horizonte, aos 83 anos, o professor, músico e produtor cultural José Adolfo Moura. Ele estava internado desde terça-feira (24/3), no Hospital Madre Teresa, onde sofreu uma parada cardíaca.
O velório ocorreu neste sábado (28/3), no Funeral House, na Avenida Afonso Pena, no bairro Funcionários, na região Centro-Sul da capital.
Trajetória marcou a cultura mineira
Nascido em São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, José Adolfo Moura teve atuação relevante na formação artística e cultural do estado. Ele foi um dos fundadores do Festival de Inverno da UFMG, criado em 1967, em Ouro Preto, um dos principais eventos culturais universitários do país.
Em entrevista à Revista Diversa, relembrou o período: “Eram anos de muita repressão, mas também de muita criação e experimentação artística”.
Carreira acadêmica e atuação pública
José Adolfo Moura foi professor do Departamento de Fotografia e Cinema da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, onde também atuou como diretor.
Ao longo da carreira, teve forte atuação na educação musical e artística:
- Foi um dos primeiros alunos da Fundação de Educação Artística;7
- Especializou-se no Método Orff, na Áustria;
- Lecionou no Centro Pedagógico da UFMG;
- Coordenou o projeto Música na Escola na rede estadual.
Na gestão pública, foi secretário adjunto de Cultura de Belo Horizonte, entre 1989 e 1992.
Produção audiovisual e televisão
No cinema, dirigiu o documentário “Nascimento, Paixão e Morte, segundo Pipiripau” (1989), como parte de seu mestrado pela Universidade de São Paulo. O filme retrata a obra de Raimundo Machado, criador do tradicional presépio Pipiripau, com centenas de figuras móveis.
Na televisão, criou o programa infantil “Dango Balango”, exibido pela Rede Minas desde 2006, com bonecos do Grupo Giramundo e trilha da banda Pato Fu.
Reconhecimento e legado
Em nota, a Escola de Belas Artes da UFMG destacou que Moura: “dedicou sua vida à formação de gerações de artistas, pesquisadores e educadores, sempre orientado por um compromisso ético com a universidade pública e com a valorização das múltiplas expressões culturais”.
Ele deixa a esposa Cecília e os filhos Ana e Pedro Motta.
