O escritor George R.R. Martin revelou que os aguardados volumes finais da saga As Crônicas de Gelo e Fogo apresentarão desfechos distintos daqueles exibidos na série Game of Thrones. Em entrevista à revista The Hollywood Reporter, publicada nesta quinta-feira (15), o autor refletiu sobre o encerramento da produção da HBO e detalhou seus planos para os livros remanescentes.
Divergências Narrativas
Martin enfatizou que a obra literária seguirá um caminho “significativamente diferente”. Segundo o autor, a discrepância entre as mídias resultará em destinos opostos para figuras centrais. “Alguns personagens que estão vivos nos meus livros estarão mortos na série, e vice-versa”, afirmou.
O escritor também comentou sobre o tom do encerramento, sugerindo que a série optou por uma abordagem mais otimista do que a planejada originalmente. “Eles fizeram algo mais próximo de um final feliz. Eu não vejo um final feliz para Tyrion; todo o arco dele foi trágico desde o início”, pontuou. Martin revelou, inclusive, que cogitava a morte de Sansa Stark, mas admite que a evolução da personagem na TV pode influenciar sua decisão final.
O Desafio de “The Winds of Winter”
Há 14 anos trabalhando em The Winds of Winter (O Ventos do Inverno), o sexto tomo da saga, Martin atribui a demora à complexidade narrativa. Com 21 pontos de vista diferentes, a trama de Westeros tornou-se um quebra-cabeça de difícil execução. “Abro o capítulo em que estava trabalhando e sinto que não está bom o suficiente. Então, entro e reescrevo”, explicou sobre seu processo criativo.
Apesar de priorizar o sexto livro, o autor admitiu que outros projetos, como os contos de Dunk and Egg e o segundo volume de Fogo & Sangue, competem por sua atenção e humor criativo.
Compromisso com o Legado
Questionado sobre a possibilidade de abandonar a obra, Martin foi enfático ao dizer que veria a desistência como um “fracasso total”. Entretanto, o autor reiterou que não possui planos de sucessão. Caso não consiga finalizar os livros em vida, Martin afirmou que a obra permanecerá inacabada, descartando a hipótese de permitir que outro escritor conclua a história em seu lugar.
