A exposição “Habitante – Registros de um Bolinho pela Cidade”, de Raquel Bolinho, chega a BH na próxima quarta–feira (12/8) para celebrar os 17 anos de criação de um dos personagens mais reconhecidos da paisagem urbana da capital mineira. A mostra ficará em cartaz até 13 de setembro, com entrada gratuita.
A mostra reúne pinturas, esculturas, instalações e trabalhos interativos que investigam como o personagem deixou de ser apenas um desenho espalhado pelos muros para se tornar parte da memória afetiva da capital mineira. A exposição ficará disponível na PQNA Galeria Pedro Moraleida, no Palácio das Artes, com visitação de terça–feira a sábado, de 9h30 às 21h, e aos domingos, de 17h às 21h.
Exposição investiga a relação do Bolinho com BH
Criado em 2009 pela artista Maria Raquel Alves Couto, conhecida como Raquel Bolinho, o personagem surgiu quando ela começou a experimentar o grafite nas ruas de BH. Inspirado inicialmente no formato de um cupcake, o desenho ganhou diferentes roupas, cores e expressões ao longo dos anos, além de passar a incorporar acontecimentos e elementos do cotidiano.
A presença do Bolinho se expandiu para milhares de muros da capital e também chegou a outras cidades brasileiras e países como Alemanha, Inglaterra, Bélgica, Argentina e Holanda.
A exposição parte da transformação dessa figura em um elemento reconhecível da cidade. Ao longo de cinco ambientes, o Bolinho aparece inteiro, fragmentado, multiplicado ou apenas sugerido por elementos como uma cereja, uma silhueta ou determinadas combinações de cores.
Cinco salas apresentam diferentes versões do personagem
Na primeira sala, três pinturas apresentam uma versão menos conhecida do Bolinho, sem o tradicional contorno preto dos grafites. A artista utiliza luz e sombra para criar volume, enquanto três esculturas em cerâmica, produzidas por Marlouce Temponi, oferecem outra interpretação do personagem.
Já a segunda sala reúne aproximadamente 200 pequenas telas, todas diferentes entre si, com versões que vão de músicos e esportistas a monstros, robôs e cozinheiros. Espelhos instalados no espaço ampliam a quantidade de figuras e criam um ambiente inspirado na ideia de um “multiverso” do Bolinho.
Na terceira sala, o personagem praticamente desaparece. Chapas transparentes de acrílico apresentam apenas partes como a cereja, a cobertura e elementos do rosto. Com a iluminação, as peças projetam sombras coloridas nas paredes, deixando que o visitante reconstrua mentalmente a figura.
O percurso segue para uma área interativa, com um jogo da memória em que as peças não formam pares e revelam objetos reinterpretados dentro do universo do personagem. Outra instalação permite combinar diferentes partes do corpo do Bolinho, criando composições que não precisam seguir um modelo original.
A última sala é construída coletivamente. Ao entrar, cada visitante recebe pequenas cerejas adesivas para colar nas paredes do espaço. Com o passar dos dias, os adesivos transformam o ambiente em uma instalação criada pelo público a partir de um dos elementos mais facilmente associados ao personagem. A proposta reforça uma das ideias centrais da mostra: mesmo quando o Bolinho não aparece por completo, alguns detalhes já são suficientes para que sua imagem seja reconhecida.
Programação especial marca exposição
Além da visitação, a programação da exposição dos Bolinhos terá uma ação especial no dia 15 de agosto, com discotecagem de Raphael Bravin e pintura ao vivo realizada por Raquel Bolinho e Kdu dos Anjos. A mostra também marca a doação de uma obra ao acervo da Fundação Clóvis Salgado.
O título “Habitante” faz referência justamente à relação construída entre o personagem e BH. Para Raquel, o Bolinho não apenas ocupa espaços da cidade, mas passou a estabelecer uma relação com eles ao longo de quase duas décadas.
‘Habitante – Registros de um bolinho pela cidade’
Data: 12 de agosto a 13 de setembro
Horário: terça–feira a sábado, 9h30 às 21h; domingo, 17h às 21h
Local: Palácio das Artes | Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro
Classificação: livre
Entrada gratuita