O espetáculo “Eu Quero Ser Uma Locomotiva”, da Cia Pierrot Lunar, estreia nesta quarta–feira (3/7), no CCBB BH, e segue em cartaz até 27 de julho. Com direção de Lydia Del Picchia e dramaturgia coletiva, a montagem investiga a relação com o tempo, o desejo e a capacidade de reinvenção de uma geração que viveu a transição do mundo analógico para a era digital.
Na trama, dois algoritmos pré-históricos do futuro envelhecem dentro de uma cápsula à deriva, descrita como um mausoléu digital orbitando os escombros da memória. A encenação aposta em uma arqueologia visual e sonora para discutir a passagem do tempo e as marcas deixadas pelas escolhas individuais e coletivas.
As apresentações ocorrerão no Teatro I do CCBB, de sexta a segunda–feira, sempre às 20h. Nos dias 11 e 25 de julho, as sessões terão tradução em Libras. Já nos dias 6 e 24 de julho, haverá bate–papo gratuito depois do espetáculo. Os ingressos custam a partir de R$ 15 (meia–entrada) e ficarão disponíveis no site do centro cultural e na bilheteria do local.
Segundo a atriz Neise Neves, fundadora da companhia, o espetáculo lança um olhar sensível sobre os dilemas da geração 50+, que acompanhou mudanças tecnológicas profundas em poucas décadas. “Passamos pelo carro sem cinto de segurança, pela fita cassete, e de repente tivemos que aprender a deixar fotos na nuvem. O espetáculo busca entender o que será o percurso a partir de agora”, afirmou.
Geração 50+ no centro da narrativa
A ideia da montagem surgiu quando os integrantes da companhia completaram 50 anos e sentiram o desejo de falar sobre seus contemporâneos. A canção “Quero Ser Locomotiva”, de Jorge Mautner, também serviu de inspiração para a criação da peça.
O ator Léo Quintão explicou que o trabalho não busca fazer uma celebração nostálgica do passado, mas investigar o futuro a partir das experiências acumuladas por essa geração. “Queríamos falar da nossa geração. O espetáculo busca trazer tudo isso não como uma coleção nostálgica do passado em detrimento do presente, mas sim em busca do que será o amanhã”, disse o ator.
Direção de Lydia Del Picchia
Pela primeira vez trabalhando com a Cia Pierrot Lunar, Lydia Del Picchia destaca que a peça nasceu de muitas conversas sobre as transformações sociais, políticas e tecnológicas vividas nas últimas décadas. “Essa peça foi – e ainda está sendo escrita – como uma carta, um registro, um documento, um testemunho do que vivemos”, afirmou a diretora.
A dramaturgia é assinada por Lydia Del Picchia, Márcia Bechara, Jô Hallack, Arthur Barbosa e Ana Regis, reunindo autores de diferentes gerações para ampliar as perspectivas sobre tempo e futuro.
Cenografia e trilha sonora
A cenografia de Ed Andrade foi construída a partir de um garimpo de objetos analógicos em lojas do Centro e do Mercado Novo de Belo Horizonte. Telefones antigos, mimeógrafos, máquinas de escrever e orelhões compõem o cenário e funcionam como gatilhos de memória.
A trilha sonora original e a direção musical de Luiz Rocha utilizam esses objetos em tempo real, transformando ruídos e sons mecânicos em elementos poéticos da encenação.
Espetáculo ‘Eu Quero Ser Uma Locomotiva’
Data: 3 a 27 de julho
Horário: segunda a sexta–feira, às 20h
Local: CCBB BH | Praça da Liberdade, 450 – Funcionários
Classificação: 12 anos
Ingressos: no site e na bilheteria