Hoje, 7 de novembro, é Dia do Radialista, e a data tem sotaque mineiro. Ela foi escolhida em homenagem a Ary Barroso, que nasceu em Ubá, na Zona da Mata, em 7 de novembro de 1903. Além de compor “Aquarela do Brasil”, ele foi locutor, apresentador e um dos nomes que ajudaram a inventar o jeito brasileiro de fazer rádio.
A data oficial vem da Lei 11.327, sancionada em 24 de julho de 2006. Antes dela, a categoria comemorava em 21 de setembro, tradição que vinha desde os anos 1940. Muita gente do meio não abriu mão do dia antigo e, desde então, celebra os dois. Quem vive de microfone, convenhamos, não recusa motivo para festa.
Ary Barroso, o homem do gongo e da gaitinha
Ary chegou ao rádio no começo dos anos 1930, tocando em programas da Rádio Philips, no Rio de Janeiro. Em 1937, estreou na Rádio Cruzeiro do Sul a Hora do Calouro, que comandava com graça e nenhuma piedade: bastava um gesto dele para o gongo soar em cima do candidato desafinado. Exigente, cobrava repertório brasileiro e queria ouvir o nome do compositor de cada canção. Mais tarde, seus programas de calouros ajudaram a revelar Elza Soares, Dolores Duran e Elizeth Cardoso.
Dessa exigência nasceu uma das histórias mais saborosas do rádio. Uma caloura anunciou que ia cantar “Se Todos Fossem Iguais a Você”, de Vinicius de Moraes. Ary, que sabia que a música também era de Tom Jobim, quis saber: “E o Tom?”. A moça respondeu, sem pestanejar: “Lá menor”.
No futebol, ele também deixou marca. Como o grito de gol se perdia no barulho da arquibancada, passou a tocar uma gaitinha para avisar o ouvinte, uma das primeiras vinhetas das transmissões esportivas no país. Flamenguista assumido, nunca disfarçou a torcida: no gol do Flamengo, soprava com vontade; no do adversário, quase não se ouvia. Quando foi proibido de narrar de dentro do Parque Antártica, em São Paulo, transmitiu o jogo do telhado de uma casa vizinha.
Um Dia do Radialista para quem fala com você todo dia
Fora do estúdio, Ary assinou sambas que o Brasil canta até hoje, de “Aquarela do Brasil”, que inaugurou o samba-exaltação, a “Na Baixa do Sapateiro”. A canção “Rio de Janeiro”, do filme “Brasil”, de 1944, rendeu a ele uma indicação ao Oscar de melhor canção original. Ary morreu em 1964, mas o estilo de quem conversa com o ouvinte como se estivesse ao lado dele ficou de herança para o rádio.