
O Conecta Mente mergulhou em um dos temas mais sensíveis e urgentes do universo corporativo: a relação entre a maternidade e a carreira profissional. Ser mãe no Brasil ainda cobra um preço alto, especialmente na trajetória profissional, onde muitas mulheres enfrentam a desaceleração de suas carreiras, perda de oportunidades ou até mesmo o afastamento do mercado após a licença-maternidade.
Com apresentação de Paulo Leite e a participação de Fernando Cardoso na bancada, a convidada desta edição foi Núria Nava. Jornalista, Diretora de Growth na Evertrading Marketing e com passagens por gigantes como P&G, Mars, Nivea e Red Bull, Núria é mãe de dois filhos e compartilhou suas vivências, desafios e estratégias sobre como equilibrar as ambições da vida executiva com a dedicação à família.
A “penalidade da maternidade”
Logo no início do bate-papo, ficou claro que a chamada “penalidade da maternidade” é uma realidade cultural e corporativa. Núria destacou a disparidade no tratamento entre pais e mães no mercado de trabalho. Enquanto as mães assumem instantaneamente a carga mental e prática — como ligações da escola, idas ao pediatra e cuidados na doença —, as empresas ainda têm dificuldades em acolher essa nova rotina no retorno da licença-maternidade, que é muito mais longa e impactante do que a dos pais.
No entanto, a executiva ressaltou que a maternidade não significa abrir mão da vida profissional. Pelo contrário: as mães tornam-se profissionais mais eficientes, focadas e engajadas, pois aprendem a otimizar ao máximo o curto espaço de tempo que possuem para resolver todas as demandas de suas vidas.
A ilusão do equilíbrio perfeito
Um dos grandes dilemas das mulheres é tentar equilibrar perfeitamente a profissão e a família. Para Núria, o equilíbrio perfeito simplesmente não existe; o que se faz na prática é uma negociação constante de prioridades.
“Tem dias que a carreira vai demandar mais, tem outros que a maternidade vai demandar mais, e está tudo bem, desde que seja uma decisão consciente”, explicou a diretora. O segredo que ela adota é a “presença real”: estar 100% no trabalho durante o expediente e 100% conectada com os filhos no tempo dedicado a eles, sem distrações com celulares ou e-mails.
De chefe a líder: a empatia na prática
Longe de atrapalhar, a maternidade trouxe lições valiosas para a gestão de Núria. Ela revelou que a experiência a fez deixar de ser apenas uma “chefe” focada puramente em demandas, para se tornar uma líder com uma visão muito mais holística e humana de sua equipe.
Com a maternidade, a empatia deixou de ser apenas um discurso e passou a ser uma prática diária. Entender o momento de vida de cada colaborador, suas vulnerabilidades e necessidades — seja cuidando de filhos, pais idosos ou outros desafios pessoais — muda o jogo no ambiente de trabalho, gerando confiança e resultados muito mais sólidos.
O papel prático das empresas
A conversa também abordou o que as empresas precisam oferecer para que as mulheres possam se desenvolver plenamente. Segundo Núria, o mercado precisa ir além do discurso e aplicar o apoio na prática.
Isso envolve lideranças que protejam a agenda de suas colaboradoras, avaliações baseadas puramente em entregas e resultados — e não em presença física 24 horas por dia (o famoso “presenteísmo”) —, e uma flexibilidade genuína e sem julgamentos. “A empresa não tem apenas que falar em dar apoio, ela tem que praticar esse apoio”, enfatizou.
Para as mulheres que sonham com a maternidade e temem pela carreira, o conselho de Núria foi direto: não coloque limites antes da hora, escolha trabalhar em ambientes e com líderes que apoiem o seu momento de vida e, acima de tudo, abandone a busca pela perfeição.
Conecta Mente
O Conecta Mente é apresentado por Paulo Leite e conta com a participação de Fernando Cardoso. O programa vai ao ar toda terça-feira, às 09h, na CDL FM.
O episódio completo está disponível no canal do YouTube Multiprosa.