“Stranger Things” chegou ao fim nessa quarta–feira (31/12), com o lançamento do episódio final da quinta temporada. A reta final da trama, especialmente o desfecho da personagem Eleven, gerou debates entre fãs e levou os criadores Matt e Ross Duffer a explicar em detalhes o significado de sua conclusão.
O destino de Eleven no final de ‘Stranger Things’
Este texto contém spoilers.
No episódio derradeiro, Eleven (Millie Bobby Brown) desempenha papel central na batalha decisiva contra o vilão Vecna e a destruição do Mundo Invertido, a dimensão paralela que ameaça o mundo real desde a primeira temporada da série.
Em um movimento dramático, a personagem permanece no interior do Mundo Invertido momentos antes de ele colapsar, em uma cena que sugere que ela pode ter se sacrificado para garantir a segurança de seus amigos e da próprio cidade de Hawkins.
Entretanto, o fechamento não oferece uma resposta definitiva sobre a sobrevivência de Eleven, e foi essa ambiguidade que os irmãos Duffer explicaram como uma escolha narrativa consciente, em entrevista à Netflix.
Segundo Ross, desde as fases iniciais da escrita, nunca houve uma versão do roteiro em que Eleven simplesmente retornasse para viver em paz com o grupo ao final da série. “Para que nossos personagens pudessem seguir em frente e para que a história de Hawkins e do Mundo Invertido chegasse ao fim, Eleven precisava ir embora”, disse o criador.
Por que deixar o final em aberto?
Os irmãos justificaram que a ambiguidade do destino de Eleven serve a múltiplos propósitos dramáticos e temáticos em “Stranger Things”: primeiro, reforça a ideia de que a jornada da personagem, marcada por perdas, lutas e sacrifícios, não se encerra de forma convencional, mas sim como um símbolo da transição da infância para a vida adulta.
Ross enfatizou que Eleven representa “a magia de muitas maneiras, inclusive a magia da infância”, e que simplesmente retirá-la do mundo ou lhe oferecer uma “vida normal” não se encaixaria com sua trajetória ou com o tom da história.
Matt Duffer complementou esse raciocínio ao explicar que os roteiristas consideraram duas possibilidades narrativas para ela: uma mais sombria, em que ela realmente morre, e outra mais esperançosa, representada pela perspectiva otimista de Mike Wheeler (Finn Wolfhard).
Teoria de Mike sobre destino de Eleven
Na trama, um epílogo ambientado 18 meses após os eventos finais mostra Mike e o grupo vivendo suas vidas, com o personagem compartilhando uma teoria de que Eleven pode ter escapado do Mundo Invertido com a ajuda de Kali, sua irmã com poderes especiais, e agora vive em paz em um lugar distante. Essa sugestão funciona como uma forma de esperança e de lidar com a perda, deixando em aberto a morte de Eleven.
A série, lançada em 2016, e que se tornou um dos títulos mais assistidos da Netflix, sempre misturou elementos de ficção científica com temas clássicos de amadurecimento, amizade e enfrentamento de traumas.
Desde a introdução de Eleven, uma menina com habilidades telecinéticas que foge de um laboratório experimental, cada temporada explorou não apenas ameaças sobrenaturais, mas também o impacto emocional dessas experiências sobre ela e seus amigos.
Na explicação dos Duffers, a necessidade de Eleven “ir embora” simboliza o encerramento desse ciclo de dependência e tensão, permitindo que os demais personagens e o público encontrem uma maneira de seguir em frente, mesmo sem respostas claras sobre o que aconteceu com ela.
“Eles não podem mais entrar em contato com ela. Tudo desmoronaria se isso acontecesse. Então, se essa é a narrativa, essa é realmente a melhor maneira de mantê-la viva. E trata-se de Mike e todos encontrarem uma maneira de superar o que aconteceu”, disse Matt Duffer.
