Belo Horizonte recebe, nos dias 19, 21 e 23 de setembro, a ópera “Chica da Silva”, nova produção da Fundação Clóvis Salgado que revisita a trajetória de uma das personagens mais conhecidas da história de Minas Gerais. O espetáculo terá a participação da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, do Coral Lírico de Minas Gerais e da Cia. de Dança Palácio das Artes.
A montagem tem música original de Guilherme Bernstein e libreto de Marcos Bernstein e Flávia Bessone. A direção cênica é de Julianna Santos, enquanto André Brant assina a direção musical e a regência. A coreografia é de Regina Advento, com cenografia de André Cortez, figurinos de William Rausch e iluminação de Wagner Pinto.
O espetáculo integra a temporada de óperas de 2026 da Fundação Clóvis Salgado e propõe uma abordagem da trajetória de Francisca da Silva de Oliveira, conhecida como Chica da Silva ou Xica da Silva. Nascida escravizada entre 1731 e 1735, no Arraial do Milho Verde, no Serro, ela conquistou a alforria e alcançou uma posição de destaque social na região de exploração de diamantes durante o século XVIII.
As apresentações serão no Palácio das Artes, às 19h neste sábado (19/9), e às 20h na próxima segunda e quarta–feira (21 e 23/9). Os ingressos estão disponíveis neste link, na bilheteria do teatro e nos totens de autoatendimento, a partir de R$ 30 (meia–entrada).
Ópera questiona a construção do mito
A produção parte da intenção de olhar para Chica da Silva para além das representações construídas ao longo dos anos na literatura, no cinema e na televisão. Entre as obras que ajudaram a consolidar o imaginário sobre a personagem estão o episódio dedicado a Chica em “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles, o filme “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, e a novela homônima exibida em 1996.
Na nova ópera, a personagem é apresentada a partir da tensão entre a figura histórica e o mito criado posteriormente. A produção se aproxima do estudo da historiadora Júnia Ferreira Furtado, “Chica da Silva e o Contratador dos Diamantes – O Outro Lado do Mito”, publicado em 2003.
A relação entre Chica e João Fernandes de Oliveira, contratador dos diamantes com quem viveu durante 17 anos, também ocupa espaço central na narrativa. O casal teve 13 filhos, reconhecidos pelo pai. Em 1770, João Fernandes retornou a Portugal, deixando para Chica patrimônio que incluía uma grande casa e pessoas escravizadas.
No espetáculo, a soprano Marly Montoni interpreta Chica da Silva, enquanto o tenor Ewandro Stenzowski vive João Fernandes. O elenco também reúne artistas como Leandro Abreu, Santiago Villalba, Giovanni Tristacci, Edna D’Oliveira, Andreia de Paula, Edineia Oliveira, Indaiara Patrocínio e Lício Bruno.
Antes da temporada em Belo Horizonte, a Fundação Clóvis Salgado apresentou a ópera “Chica em Diamantina”, no último sábado (12/9), em frente à Escola de Artes e Música Maestro Francisco Nunes, em Diamantina. A apresentação é gratuita e tem classificação livre, com espaço sujeito à lotação.
‘Chica da Silva’ em Belo Horizonte’
Datas: 19, 21 e 23 de setembro
Horários: 19h no sábado e 20h na segunda e na quarta-feira
Local: Grande Teatro Cemig Palácio das Artes | Avenida Afonso Pena, 1537 – Centro
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/120227?
Classificação: Livre