Nota: 9/10
Estreou, nesta quinta–feira (30/4), o aguardado “O Diabo Veste Prada 2”, sequência do icônico filme lançado em 2006 e que conquistou uma geração de apaixonados por moda. O segundo longa–metragem traz no elenco os principais responsáveis por moldar uma geração: Anne Hathaway, Meryl Streep, Stanley Tucci e Emily Blunt.
A Rádio CDL FM assisitiu ao filme na pré–estreia, nessa quarta–feira (29/4), em Belo Horizonte, e compartilha suas primeiras impressões.
O tempo fez bem ao universo criado por David Frankel, diretor de ambas produções. Tanto em termos de qualidade de imagem quanto em relação aos personagens, tudo parece mais vívido, maduro e imaculado. Mas não é tudo que amadurece nessa sequência. Andy Sachs, a ética jornalista que chegou no escritório da Runway em 2006 com seu suéter azul cerúleo, parece carregar a mesma prepotência.
Embora não admita, a personagem cai nas graças do universo da moda no primeiro filme, enquanto descobre as camadas mais “sombrias” de tudo o que envolvia, à época, a manutenção da imagem da revista. O triunfo de Sachs – e que parecia certo para uma era em que chefes de moda eram carrascas e os ambientes de trabalho eram tóxicos – foi dizer não para o trabalho que “qualquer um mataria por ele”, em nome de viver o “jornalismo real” (e aqui a autora deixa claro que não concorda com o juízo de valor feito com o jornalismo de moda no primeiro filme).
Andy está igualmente irritante, mas dá para relevar
A questão é que Andy teve a sua experiência na Runway e a chance de entender que aquilo era, sim, um trabalho real, longe de ser fútil, jornalismo. Ao retornar à revista (agora plataforma) no segundo filme, a personagem mantém a mesma mentalidade. Parafraseando, Sachs diz que usará o local como trampolim para empregos melhores.
A partir disso, Andy embarca numa missão de provar que Miranda finalmente precisa de sua expertise, enquanto continua tentando decifrar a chefe, mesmo não participando de sua vida há 20 anos. Com seu complexo de heroína, Sachs parece querer ultrapassar a linha do profissionalismo e ser uma amiga querida de Priestly que, com razão, não está nem um pouco interessada nessa relação e só deseja salvar a própria pele.
Entre um acontecimento e outro, Andy vai provando seu valor profissional e conquistando a confiança de Miranda, até ambas embarcarem juntas na missão–chave do segundo filme. À essa altura, Sachs, que pretendia fechar um bom contrato para escrever uma biografia sobre Miranda, desiste do plano por “cair em si” e viver seu próprio arco de redenção, entendendo – finalmente – que todos os seus movimentos são tão egoístas quanto os de Miranda. A diferença é que a mais velha não tem medo de admitir isso e nos rende frases e momentos que ficam marcados na cultura.
Depois de termos entendido coletivamente que a personagem principal se equivocou no primeiro filme, ficamos com aquele gostinho de vê–la entendendo e respeitando mais o jogo, e tendo momentos triunfais.
Carta de amor aos fãs
Deixando de lado o quão irritante Andy Sachs continua em “O Diabo Veste Prada 2”, o filme está longe de ser o fiasco que temíamos. Recheado de referências ao primeiro longa–metragem, a produção é bonita, engraçada e nos presenteia com novos momentos icônicos de nossos personagens favoritos, inclusive, cenas gravadas durante um desfile real em Milão.
Lady Gaga, que tem se aventurado no cinema há alguns anos, interpreta a si mesma em uma participação que adicionou mais um momento de humor à narrativa. A aparição é coroada com uma bela performance da cantora, em um momento que remeteu aos fashion shows da Victoria’s Secret.
“O Diabo Veste Prada 2” é uma carta de amor aos fãs que carregaram o legado do primeiro filme durante vinte anos. Andy, Miranda, Nigel e Emily provaram que merecem longevidade, renovando o contrato de fidelidade com nossos corações.