Uma vez eu li uma matéria que mostrava a casa da atriz Bruna Linzmeyer e ela, a certa altura, comentava que gostava de algumas marcas na parede. Um sujinho aqui, um arranhão ali, porque isso a fazia lembrar que ali era um lar e que os ambientes eram constantemente usados.
Na época, eu nunca tinha pensado nisso e achei esquisito alguém falar bem de um “sujinho” na parede, por exemplo. Bom, a fala dela me marcou e eu comecei a refletir mais sobre o assunto. Uma casa onde tudo parece novo, polido e perfeitamente alinhado pode ser mais incômoda do que uma que tem algumas imperfeições que transmitem a sensação de história e de memória.
Viver em um ambiente onde não se permite erro ou espontaneidade deve ser um estresse, e isso só reforça um padrão de autoexigência que já nos persegue em vários momentos do dia. Acho que a ausência de marcas humanas no lar reduz a sensação de pertencimento. Tudo bem, sem exageros, mas pense nisso
