Escuta que interessante: existe uma biblioteca onde você, em vez de pegar um livro, pega uma pessoa para poder lê-la. A ideia se chama Human Library e nasceu em Copenhague. Essas pessoas, que aqui a gente está chamando de “livros humanos”, não interpretam personagens. Elas compartilham experiências reais, muitas vezes relacionadas a grupos que enfrentam preconceitos ou discriminação, seja pela origem étnica, pela crença ou pelo estilo de vida, entre muitos outros.
É a experiência dessas pessoas que se torna aquilo que você vai ler. Você escolhe uma e pode conversar com ela por até 30 minutos. Em vez de virar páginas, você pode fazer perguntas difíceis, que talvez não fizesse em uma conversa qualquer. Não para constranger, mas para poder perguntar, ouvir e tentar compreender, sem julgar. E a proposta nem é fazer duas pessoas pensarem da mesma forma, mas, sim, que elas se compreendam melhor.
A Human Library, que hoje está em 85 países, vem dessa ideia de usar o diálogo direto para desafiar estereótipos e preconceitos. Compreender alguém não significa concordar com tudo o que essa pessoa pensa, e sim reconhecer que, por trás de um rótulo, seja ele de deficiente, imigrante, ex-dependente, e muitos outros, existe uma história que você ainda não conhece.
Eu quis falar disso aqui porque está rolando a 31ª edição da CASACOR Minas, na sede da PUC Lourdes, e eu fiquei imaginando um ambiente que tivesse como proposta uma Human Library. Tá aí uma boa ideia para o ano que vem, queridos arquitetos.