O filme “Dois Procuradores” se passa na União Soviética de 1937. A história acompanha um jovem procurador que decide investigar uma injustiça dentro do próprio sistema que representa.
O título aponta para dois procuradores centrais: um idealista em início de carreira e o outro mais experiente, que apenas foi citado no filme e que já foi engolido pela engrenagem do regime. Dois tempos, duas posturas, dois modos de lidar com o poder. Mas por que dois, se o foco está no procurador iniciante? A resposta não está apenas na estrutura da narrativa, está na tensão que sustenta a história.
Existe o procurador público que ocupa o cargo, que acusa, que sustenta a lei diante da sociedade, e existe o outro, invisível e inevitável, o promotor interno, a consciência; aquela instância silenciosa que julga as próprias escolhas. O filme trabalha essa duplicidade com sobriedade. Mostra que ninguém exerce poder sem ser atravessado por conflitos internos. A função pode ser única, mas a consciência se divide.
“Dois Procuradores”, que está no cinema, é inquietante porque alimenta nos inocentes um pouco de esperança. Eu saí do filme decepcionado. Depois, minha consciência me fez entender que ele não fala apenas da União Soviética. Ele revela um sistema que a gente vê, reconhece e muitas vezes deglute.
