Aristóteles deixou uma frase que atravessou séculos ao afirmar que somos aquilo que fazemos repetidamente. Essa ideia desloca o foco do que pensamos sobre nós mesmos para aquilo que praticamos no cotidiano. Não somos definidos por intenções isoladas, nem por promessas feitas em momentos de entusiasmo.
O que nos revela são os gestos que se repetem, as escolhas que voltam a acontecer, os hábitos que sustentamos ao longo do tempo. Um ato pode ser ocasional, mas um comportamento repetido constrói identidade. É na repetição que o caráter se forma, que os valores ganham corpo e que o discurso encontra ou perde coerência. Não basta dizer que se importa; é preciso agir com cuidado.
Não basta desejar mudanças; é necessário praticá-las. Essa reflexão também nos convida à responsabilidade. Se somos feitos do que repetimos, então sempre existe a possibilidade de transformação. Mudar não começa com grandes discursos, mas com pequenos gestos refeitos todos os dias.
Vale apenas uma curiosidade histórica: embora essa síntese seja poderosíssima e resuma perfeitamente o pensamento do filósofo na Ética a Nicômaco, a frase exata como a conhecemos (A excelência não é um ato, mas um hábito) foi escrita pelo historiador Will Durant em 1926 ao interpretar a obra do grego. De qualquer forma, a essência permanece: a virtude é um exercício prático.
