A Netflix lançou nesta quarta, 20 de maio, “KYLIE”, série documental em três episódios dedicada à vida e à carreira de Kylie Minogue — uma das artistas mais duradouras e reinventadas do pop mundial, com mais de 80 milhões de discos vendidos e mais de 5 bilhões de streams acumulados ao longo de quatro décadas.
Dirigida pelo cineasta vencedor do Emmy Michael Harte e produzida pela Ventureland — a mesma equipe por trás do aclamado documentário sobre David Beckham —, a série explora o que tem sido essa vida para Minogue, com a cantora sendo surpreendentemente aberta sobre o luto, o escrutínio e a resiliência que experimentou ao longo do caminho.
O primeiro episódio acompanha a transformação de Kylie de jovem atriz de novela em sensação pop global após o lançamento de seu primeiro grande hit no Reino Unido, explorando a intensa atenção da mídia e o sexismo que cercaram sua ascensão no final dos anos 1980.
Relacionamento com Jason Donovan
É nessa fase que surge um dos momentos mais comentados da série: a relação com o colega de elenco de “Neighbours”, Jason Donovan. Donovan é emotivo ao longo de toda a sua participação no primeiro episódio e chega a dizer, em tom de brincadeira, que vai sair para fazer terapia imediatamente — deixando claro que nunca superou completamente o término do relacionamento.
O segundo episódio entra em uma nova fase criativa ousada, enquanto Kylie navega por seu relacionamento com o lendário frontman do INXS, Michael Hutchence. A série também revisita sua improvável aproximação com Nick Cave, que a convidou para cantar no álbum “Murder Ballads” contrariando sua própria equipe. Cave fornece o que críticos chamam de alguns dos comentários mais doces e perspicazes da série, descrevendo Kylie como a “definição de alegria”.
O terceiro episódio aborda o capítulo mais delicado da vida da artista: seu diagnóstico de câncer de mama em maio de 2005, aos 36 anos, e sua declaração como livre da doença em 2006. A série mostra como Kylie usou a música como forma de atravessar o trauma e como essa experiência reconfigurou sua relação com a própria carreira.
Série mostra como mídia ridicularizou cantora
Um dos fios condutores da série é o tratamento cruel que a imprensa britânica reservou à artista em seus primeiros anos de fama. Ela foi ridicularizada como “o periquito cantor” e satirizada impiedosamente por um fantoche do programa “Spitting Image”. A série não poupa esses episódios, colocando em perspectiva o quanto Kylie teve que ignorar para continuar existindo no topo da indústria.
A produção contrasta sua reluzente persona nos palcos com suas batalhas privadas nos bastidores, destacando sua capacidade de reinventar a carreira musical ao longo de quatro décadas, apesar da intensa desigualdade na indústria.
Além dos depoimentos de Dannii Minogue, Jason Donovan, Nick Cave e do produtor Pete Waterman, Kylie compartilha seu arquivo pessoal, incluindo fotografias de arquivo de sua amiga de longa data Katerina Jebb.
Em entrevista à Variety, a artista descreveu a experiência de se abrir emocionalmente na câmera e deixou claro que a série não é uma retrospectiva — é uma reflexão de meio de carreira. “Foi difícil de fazer, e é difícil falar sobre isso, porque ainda é muito rico. É muito denso”, disse ela.