“Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, do filósofo francês André Comte-Sponville, fala de coragem, fidelidade, humildade, gratidão e gentileza. São virtudes que parecem antigas em um tempo no qual quase tudo virou performance. Ser gentil quando tudo está bem é simples. O desafio é manter a delicadeza depois de um dia duro, de uma injustiça ou de uma decepção, porque é aí que aparece o verdadeiro caráter.
Virtude não é perfeição, é um exercício contínuo. Ninguém acorda pronto. Construímos nossos valores nas pequenas escolhas do cotidiano: no jeito de tratar quem não pode nos oferecer vantagem nenhuma, no cuidado com a palavra e na honestidade quando ninguém está olhando.
Existe uma virtude muito especial: a gratidão. Não essa gratidão exibida nas redes sociais, cheia de frases prontas, mas aquela concreta e real, que reconhece quem ajudou na travessia, quem ficou perto nos dias difíceis e quem se ofereceu para fazer um café ou levar as crianças à escola justamente no momento mais complicado, sem precisar anunciar isso para o mundo.