Se estivesse vivo, o lendário cantor e compositor Tim Maia completaria 84 anos nesta segunda-feira (28/9). Nascido Sebastião Rodrigues Maia em 28 de setembro de 1942, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, o artista cravou seu nome na história da música brasileira ao popularizar e mesclar gêneros como o soul, funk e R&B. Com sua voz potente, carisma genuíno e temperamento único, o eterno “síndico” da MPB deixou uma obra que segue viva no imaginário cultural do país.
As origens e a descoberta do soul
A infância humilde de Tim Maia começou a desenhar seus passos na música bem cedo. Aos 8 anos, já cantava no coral da igreja da Tijuca e, aos 12, ganhou o primeiro violão de presente do pai. Na juventude, trabalhou como entregador de marmitas e integrou a banda de rock The Sputniks, ao lado de Roberto Carlos.
Entre 1959 e 1963, o cantor viveu uma temporada nos Estados Unidos, onde trabalhou em lanchonetes e teve seu primeiro contato direto com o soul e com as drogas (ou bauretes, gíria que usava para os cigarros de maconha). Essa imersão na cultura musical norte-americana foi determinante para que, ao retornar ao Brasil, ele desenvolvesse um estilo autoral revolucionário.
Lançamentos marcantes e a lendária fase Racional
A estreia em estúdio aconteceu com o antológico álbum “Tim Maia” (1970). Nos anos seguintes, em uma sequência prolífica, vieram mais três discos homônimos, recheados de sucessos que dominavam as rádios. Ao longo de sua trajetória, o cantor contabilizou 28 álbuns lançados.
Entre os momentos mais emblemáticos da carreira está a fase Racional. Criados para divulgar os princípios da filosofia e religião Cultura Racional, os trabalhos lançados nesse período geraram faixas imortalizadas como “Que Beleza” e “Rodésia”. O terceiro volume dessa fase teve um lançamento póstumo, em 2011, na Coleção Tim Maia.
Romantismo, Bossa Nova e palcos inesquecíveis
Na década de 1980, Tim Maia abraçou o romantismo e emplacou grandes clássicos da dupla Michael Sullivan e Paulo Massadas, como a emocionante “Me Dê Motivo”. Dessa fase romântica se destaca também o marcante dueto com Gal Costa em “Um Dia de Domingo”. O reconhecimento pelo talento arrebatador veio em 1988, quando venceu o Prêmio Sharp como melhor cantor.
O artista ainda demonstrou sua versatilidade como intérprete no álbum “Tim Maia Interpreta Clássicos da Bossa Nova” (1990). Apelidado carinhosamente de “síndico” por Jorge Ben Jor na famosa canção “W/Brasil” (1990), Tim Maia era inconfundível nos palcos. Suas apresentações contavam com o clássico grito de guerra “quem não dança, segura a criança”, além de reclamações constantes sobre a qualidade do som e uma imprevisibilidade que o levava a faltar aos próprios compromissos.
| Principais Sucessos | Hinos Inesquecíveis |
| “Azul da Cor do Mar” | “Primavera (Vai Chuva)” |
| “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)” | “Gostava Tanto de Você” |
| “Descobridor dos Sete Mares” | “Do Leme ao Pontal” |
| “Sossego” | “Vale Tudo” |
O legado eterno do ‘síndico’
Após enfrentar graves problemas de saúde provocados pela obesidade e pelo contínuo uso de drogas, Tim Maia faleceu aos 55 anos, em 15 de março de 1998, vítima de duas paradas cardiorrespiratórias sofridas quando tentava realizar um show no Teatro Municipal de Niterói (RJ). O cantor deixou dois filhos, Carmelo e Léo Esteves.
Mesmo décadas após a sua morte, a celebração do seu nascimento recorda a essência de um dos artistas mais genuínos, controversos e cativantes da cultura brasileira. Um mestre cuja obra permanece viva e entoada por diferentes gerações.