O filme “Sonhos de Trem”, disponível na Netflix, começa de um jeito simples, quase silencioso. Mas é nesse silêncio que ele nos convida a escutar o que muitas vezes passa despercebido. A história nos leva a uma infância marcada por traumas, a uma vida adulta atravessada por perdas nunca explicadas e injustiças que jamais encontraram resposta. Coisas que a vida não resolveu, mas que as pessoas seguem carregando.
O filme fala da passagem do velho para o novo, não apenas das máquinas e das cidades, mas das pessoas. Do tempo que passa no corpo, na memória e na forma de olhar o mundo. O envelhecer aparece sem pressa, mas também sem romantização: como parte natural de quem atravessou, e ainda atravessa, muita coisa. Há metáforas belíssimas.
O verde que nasce depois do incêndio nos lembra que a vida insiste, mesmo quando tudo parece queimado. A ligação com a ancestralidade mostra que ninguém caminha sozinho: somos feitos das histórias que vieram antes de nós.
“Sonhos de Trem” fala dessa convivência delicada entre a alegria e a tristeza, da beleza de estar vivo e da dor que acompanha quem segue vivendo depois de perder o que era essencial.
O filme não oferece respostas fáceis. Apenas nos lembra que continuar é, muitas vezes, aprender a caminhar com aquilo que não se resolve. E, ainda assim, seguir.
