O médico francês Boris Cyrulnik define resiliência de um jeito que desloca nosso olhar sobre o sofrimento ao dizer que resiliência é metamorfosear a dor, ou seja, não se trata de apagar o que machucou, nem de fingir que não doeu, mas de permitir que aquilo que feriu encontre outra forma de existir dentro de nós.
Metamorfose não é esquecimento, é transformação, é quando a dor deixa de ser apenas ferida aberta e passa a carregar significado, memória, experiência e, em muitos casos, uma sensibilidade maior para a vida e para o outro.
Cyrulnik nos lembra que ser resiliente não é sustentar uma imagem permanente de força, mas atravessar o sofrimento sem permitir que ele se torne a única narrativa possível da nossa história.
A dor continua existindo, mas já não ocupa o centro, porque, ao ser transformada, ela deixa de nos paralisar e passa a nos ensinar, a nos humanizar e a nos reconectar com aquilo que ainda pulsa, apesar de tudo.
Resiliência, nesse sentido, não é resistência automática, é reconstrução consciente, é a coragem cotidiana de seguir vivendo sem negar o que foi vivido.
