Tem gente que dorme a noite inteira sem sonhos nem pesadelos, mas ainda assim levanta cansada. Um cansaço que não dói no músculo, não aparece em exames, mas persiste durante o dia inteiro, a semana inteira, como um peso invisível, muitas vezes acompanhado de uma angústia cujo motivo nem sempre se conhece.
Nem todo cansaço vem do corpo. Existe um desgaste que nasce do excesso de ruído, da cobrança constante, da tentativa de dar conta de tudo e de todos, do tempo que nunca parece suficiente para tanto que se tem a fazer. É o cansaço de quem está sempre ligado, sempre disponível, sempre atento ao que os outros esperam. Esse tipo de fadiga não se resolve com um cochilo, nem com mais uma noite de sono.
Ele vem da sobrecarga emocional, da falta de momentos em que a mente esteja em paz, da dificuldade de colocar limites, da própria exigência de cumprir metas e prazos. Com a maturidade, a gente aprende que descansar não é apenas deitar.
Descansar também é diminuir o ritmo interno, escolher melhor as disputas em que vale a pena investir energia, desligar-se um pouco das urgências que nem sempre são nossas. Às vezes, são urgências dos outros, e acabamos entrando de carona, e isso cansa.
