Para e pensa um pouco: quais são as referências sonoras da cidade que te atingem com mais força?
O motor de carros e motos acelerando, o som dos pássaros no fim da tarde em uma praça, o ensurdecedor barulho da britadeira no asfalto, o apito do micro-ondas ou o da porta da garagem do prédio que nunca para. Tenho pensado muito sobre esses sons que atravessam o nosso dia sem pedir licença.
Com exceção dos passarinhos, na extensa lista que acabei de mencionar, os barulhos tendem a ser mais intensos quanto mais movimentada é a região em que você está. E há algo inegável: Belo Horizonte em janeiro, não todos os dias, mas com mais frequência, é uma delícia exatamente por ter menos poluição sonora. Amo essa cidade nessa época por vários motivos. Um deles é essa tranquilidade sonora.
Você até escuta o ônibus passando a duas quadras de onde está. Afinal, estamos em uma cidade. Mas, sinceramente, isso nem incomoda tanto quanto vai incomodar nos próximos meses, certamente bem mais agitados.
